Crônica - Stuart Angel Jones assassinado pelo governo Ditatorial Burguês Civil e Militar brasileiro. Manoel Messias Pereira

 



 Stuart Angel Jones assassinado pelo governo Ditatorial Burguês Civil e Militar brasileiro


A história do Brasil revela-se que em 14 de maio de 1991 o estudante e militante político Stuart Angel Jones, filho da estilista Zuzu Angel foi assassinado pelo governo ditatorial civil, burguês e militar brasileiro, de forma desumana e estupidamente agressiva.

Em 3 de março de 1969, um documento do Serviço Nacional de Inteligência -SNI disse que Edgar Stuart Angel Jones passou  a fazer parte de um movimento chamado Frente do Trabalho Armado.

Fomos consultar o documento pró anistia geral dos presos políticos no Brasil editado por Maria Isabel  Ventura na cidade de Lisboa-Portugal, e ficamos sabendo que:

a) Edgard Stuar Angel Jones foi preso em março de 1971 pelo CODI/RIO e consta que era um estudante universitário que estudava economia na Universidade Federal do Rio de Janeiro -UFRJ e preso foi visto numa Unidade Militar da Guanabara.

b) Stuart Angel nasceu em 11 de janeiro de 1946 filho de Zuleika Angel Jones a Zuzú Angel, uma estilista da alta moda no Brasil e seu pai era o estadunidense Norma Jones.

c) E ainda muito jovem  ele foi campeão carioca  de remo pelo club de Regatas Flamengo, em 1964 e 1965.

d) Tinha uma dupla nacionalidade era brasileiro mas também estadunidense.

e) E em 1960 a 1970 passou a fazer parte na militância do Movimento Revolucionário 8 de outubro, o MR-8, um grupo de ideologia socialista, que com o golpe militar, civil e burguês de 1964, passou a lutar contra aqueles que tomaram o poder pela força no Brasil.

f) Edgar Stuart Angel,  na sua luta revolucionária usava o codinome de Paulo ou Henrique, e foi acusado de ter participado  do assalto e sequestro do embaixador estadunidense Charles Burke Elbrich.


Desta forma Stuart Angel Jones foi preso, torturado e morto por membros do Centro de Informação da Aeronáutica (CISA) e sua morte foi dada em 14 de junho de 1971, aos 25 anos de idade. ele que nesta época já era casado com a Sonia Morais Jones, que também foi presa, torturada e assassinada dois anos mais tarde, portanto em 1973. E ele assim como sua esposa foi dado como desaparecido.

A senhora sua mãe passou a fazer várias denuncias e a procurar quem foi responsável pelo assassinato e desaparecimento do corpo do filho, e também foi assassinada num acidente plantado pela ação do governo brasileiro.

Porém tudo veio a tona, quando passamos a conhecer  a versão dada pelo ex-guerrilheiro Alex Polari, que também foi preos no mesmo local onde estava Stuart Angel e segundo ele assistiu da janela de sua cela que Stuart foi amarrado num jeep militar e arrastado pelo pátio do quartel. Enquanto aquela violência servia de prazer por aqueles militares que sorriam, zombavam e fizeram -o a colocar a boca no escapamento do carro e aspirar todos os gazes tóxicos emitidos no veiculo.

E no dia das mãe, Polaris entregou uma carta a dona Zuzú Angel, que por essa razão buscou sobre o paradeiro do filho. e pelo que Polaris conta depois deste episódio ele ficou abandonado no pátio pedindo água até a noite adentro. E assim Zuzú Angel pode denunciar o assassinato do filho.

Como tinha cidadania, o assunto foi levado ao parlamento estadunidense pelo senador dos Estados Unidos da América Ted Kennedy. Embora sabemos que o Brasil um país submisso ao estado americano cumpria aqui as operações Condor, Bandeirante e Brother Sam. em que por aqui, torturou, assassinou os próprios brasileiros que não afinavam ideologicamente com os governo estadunidense.

Os livros Desaparecidos políticos de Reinado Cabral e Ronaldo Lapa aponta duas versões para seu desaparecimento. O primeiro aponta que Stuart Angel  teria sido levado por helicóptero de manhã para uma área militar localizada na restinga de Marambaia no bairro da Guaratiba, próximo da zona rural do Rio de Janeiro e teria sido jogado no alto mar.

Já a outra informação é que seu corpo teria sido enterrado como indigente com a troca de nomes num cemitério do subúrbio do Rio de Janeiro, provavelmente em Inhauna.

Os responsável pelo desaparecimento de Stuart Jones foram os brigadeiros Brunier, Carlos Delamora o primeiro chefe da zona militar e o segundo comandante da CISA, o tenente Abilo Alcântara, o Tenente Coronel Muniz, o capitão Lúcio Barros e o Major Pena, o capitão Alfredo Poek do CENIMAR, Mario Borges e José Gonçalves da Mota agentes do DOPS.

E segundo se sabe foi o único preso político assassinado pela aeronáutica brasileira, entre outros presos guerrilheiros. Sua morte fez causar a transferência de todos os presos da cela do CISA para outros lugares.

Dona Zuzú Angel usou a imprensa no Brasil e no exterior. Porém sabemos que me 1973 ocorreu a absolvição de Stuart Angel em relação no ato de contravenção a Segurança Nacional.

E tudo isto chegou ao mundo  da moda. Zuzú fez um desfile na qual teve destaque os modelos de uma coleção de roupa com estampas de tintas vermelhas, pássaros em gaiolas. e sua causa chegaram as suas clientes internacionais como artistas Lisa Minelli, Joan Crawfort e Kim Novak. Henry Kissinger secretario norte americano recebeu um dossiê entregue por Zuzu Angel

Zuzu Angel veio a falecer em 1976 num acidente suspeito ocorrido em São Gonçalo no Rio de Janeiro. A arte como parte da transcendência da realidade se apresentou em canto, no cinema e em livros.

Chico Buarque de Holanda escreveu a música Angélica que homenageia Zuzú Angel.  O cineasta Sergio Rezende, fez o filme Zuzu Angel com Daniel de Oliveira e Patrícia Pilar . E o escritor José Louzeiro escreveu o romance "Em carne Viva" com personagens que lembra o drama da morte de Stuart Angel.

Em 2010 a sede do Club Regatas Flamengo inaugurou um memorial com o busto de Stuart  Angel Jones

Em 28 de agosto de 2015 foi inaugurado o busto de Stuar Angel Jones na Universidade Federal do Rio de janeiro-UFRJ, impedido de formar-se pelos militares do estado por sua ação ditatorial contra a figura deste estudante de economia. A obra foi de Edgar Duvivier.

Entre outras homenagens um ciclovia com nome do atleta Edgar Stuart  Angel Jones. E uma memória de dor para quem passa a conhecer a sua história, com um sentimento de respeito a um país soberano, bem diferente do país submisso, humilhado apresentado por algumas autoridades brasileiras de maneira vergonhosa e até deplorável.




Manoel Messias Pereira


professor de história, 
membro do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de São José do Rio Preto
membro do Coletivo negro Minervino de Oliveira - São José do Rio Preto-SP. Brasil



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