Crônica - Educar o ato consciente - Manoel Messias Pereira

 






Educar um ato consciente


Educar passa por um processo de respeito mútuo de consciências, em que o trato de ser cidadão, tem de estar aliado uma profunda reflexão da existência de tudo e de todos.

E é nessa questão fundamental, que passamos a compreender a educação como um ato de respeito ao próximo. E vi de um brasilianista numa entrevista na Revista Veja de 19 de abril de 2000, que afirmou que educar é conhecer, é ler o mundo para poder transformar. e dizia que a Educação passa por um ato de diagnóstico ao mesmo tempo rigoroso, intuitivo e afetivo, e lembrava Paulo Freire que sempre destacou uma necessidade dialógica comunicativa.

E que o ato de conhecimento de Paulo Freire , reconhece que o ato de conhecer e pensar estão diretamente ligados à relação com o outro. O conhecimento precisa de expressão e comunicação e não é um ato solitário. Além de ser um ato histórico gnosiológico e lógico e contem um quarto elemento que é sua dimensão dialógica.

É preciso ler o mundo e compartilhar essa leitura. Paulo Freire falava muito na autonomia do aluno. Creio que essa autonomia precisa do alicerce dos educadores da família e da escola. Não basta jogar o aluno numa sala desencontrado deste conhecimento sem o dialogo e a comunicação. e sem nenhum método. O diálogo não é apenas a estratégica pedagógica, mas um critério de verdades. É a veracidade de um ponto de ista, do meu olhar depende o outro olhar, da comunicação, da intercomunicação. Somente o olhar do outro pode dar o olhar da minha veracidadea . A verdade não nasce da conformação do meu olhar. Do contrario a verdade seria ingênua.

A educação é como um ato de reprodução e reconstrução do saber. Conhecer não é acumular conhecimentos, implica numa mudanças de atitudes, o saber é criar vínculos.

Paulo Freire tinha uma certa combinação que era refletir temas cristão e marxistas, para a reflexão de seus textos e isto ele chamava de pedagogia dialética dialógica. E explicava que a relação de opressor e oprimido lembra a relação de senhor de escravos de Hegel e depois veio Marx e Gramsci, Habermas e dai seu pensamento é humanista e dialético.

Para ter futuro é preciso sonhar, e isto está no livro "Pedagogia da autonomia" numa crítica ao neoliberalismo por negar o sonho, por ser fatalista, por negar a possibilidade de mudanças. A pedagogia precisa ser um guia da construção de um sonho e não basta sonhar mas saber construir o sonho e ter os saberes necessários. A pedagogia vê sempre o futuro, depois ela volta para o presente e o passado. E é esse contexto que precisamos dialogar entre nós seres humanos.


Manoel Messias Pereira

professor de História

membro do Coletivo Negro Minervino de Oliveira






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