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Crônica - Os cento e sete anos do assassinato de Emiliano Zapata - Manoel Messias Pereira

 




Os cento e sete anos do assassinato  de Emiliano Zapata no México.

A história registra neste dia 10 de abril em 1919 o assassinato do líder camponês e líder da Revolução Mexicana,  Emiliano Zapata Salazar,  em Chinameca no México, crime feito pelo general Jesus Gajardo. Ele que nasceu em Anenecuilco no dia 8 de agosto d 1879. Portnto veio a falecer com apenas 40 abos de idade.

A  retórica de sua vida está na história das lutas camponesas e não há apenas um saudade deste líder , para os mexicanos o zapatismo ainda é uma forte referência. Vive dentro de cada um destes veteranos  combatentes e seus descendentes que jamais  renunciara a ideia da adolescência quando empunharam armas para recuperar suas terras.

E isto foi registrado numa reunião em Cautla, quando veteranos combatentes, reuniu numa sessão a Unificação Nacional de Sobreviventes da Revolução do Sul, de origem zapatista fazendo a lista de presença. E aos serem chamados muitos se levantaram. E em relação as ausências vinham as explicações por exemplo ou está doente ou coitados estamos perdendo eles. Ou outro caso diziam não pode vir pois não tem dinheiro para o ônibus.

E essa reunião que acontecia a cada domingo mostra que o tempo é sempre implacável. com aqueles senhores envelhecidos que estiveram no combate de 1910. Eram camponeses com suas caras cheias de rugas e pele queimada pelo sol e com seus pés deformados pelo duro trabalho naterra e suas mão cheias de calos.

E que assim tratavam uns aos outros com muito respeito, declinando sempre o grau militar depois o nome. e são essas marcas que o tempo faz que fortalece o espírito. Sendo a suas maiores aspirações a terra.

E óbvio que essas informações foi registrada pelo jornalista Neiva Moreira e Beatriz Bissio, que fala do major Constantino Quinteiro, que lembrou de vários companheiros como Genovevo  de la O., membro da escolta  de Eufemio Zapata o irmão de Emiliano, que na época lembrou que o cavalo era o meio de transporte usados por eles sendo o animal  um companheiro de jornada, fiel servidor e fazia a diferença entre a vida e a morte.

Uma das coisas importantes que o major contou foi a participação feminina, informando que a maioria das mulheres ficavam nas montanhas, preparando as comidas com combatentes E poucas combatiam diretamente. E elas também eram encarregadas das comunicações, elas muitas vezes fingiam ser comerciantes e passavam pelas linhas inimigas. E de todas as mulheres ele lembrou de Rosa Bordadilla, quando  caiu presa fizeram o que quiseram com ela mas não fraquejou. Depois soltaram e ela se incorporou novamente as fileiras zapatistas. e foi reconhecida por todo o movimento zapatista..

Em Anenecuilco observa-se uma casa branca num alto do morro. É a casa de onde nasceu Emiliano Zapata e lá por muito tempo tinha um camponês encarregado em vigiar as ruinas reduzida a casa original. Uma casa que por muito tempo ficou abandonada. 

Emiliano dizia que a terra é de quem trabalha nela. Eles viveram a tirania do governo de Porfírio Diaz e a voracidade dos latifundiários. Ele afirmava-se taciturno, reflexivo, pouco dado às alegrias e brincadeiras próprias desta idade. Pertencente a uma família pobre, mas não miserável.

Em 1910 quando eclodiu a revolução de Francisco Madeiro Zapata e seus companheiros não incorporaram-se imediatamente à luta e somente entraram na luta em 1911 depois que se multiplicaram os abusos das autoridade, as perseguições e os assassinatos.. Emiliano foi assassinado em 10 de abril de 1919 na fazenda  de Chinameca. Os principais lideres da revolução não morreram em combate mas por assassinatos muitos infiltrados nos movimentos chamados de guajardo posto no movimento pelos inimigos os fazendeiros.

Neste dia o líder camponês mexicano Zapata foi convidado pelo general Jesus Guajardo, para um encontro, findo simpatizar com as causas zapatistas. E o encontro aconteceu, porem Guajardo começa a disparar na direção de Zapaata, e após isto entregou o corpo do revolucionário em troca de recompensa oferecida, porém Guajardo recebeu apenas a metade do valor oferecido.

Após a morte de Emiliano Zapata o Exercito de Libertação do Sul começou a desintegrar-se desaparecendo depois, até que uma rebelião comandada por Obregão depôs Carranza. Porém as conquistas de Emiliano Zapata foram aos poucos também desaparecendo. E somente poucos anos depôs foi que o presidente do México Lázaro Cardenas finalmente conseguiu promover uma reforma agrária no ano de 1934.

O líder brasileiro Francisco Julião das Ligas Camponesas, numa reportagem do Caderno do Terceiro mundo de fevereiro de 1994 afirmou que durante o seu exílio no México, fez um importante resgate da memória das lutas camponesas mexicanas lideradas por Emiliano Zapata, entrevistou varios combatentes. E o que ele disse é que a questão de Zapata nunca saiu da legalidade. Zapata é o herdeiro e continuador de uma série de caudilhos, que lutaram para que os títulos das propriedades das comunidades agrárias fossem respeitadas. E Zapata rebelou-se para recuperar terras das comunidades camponesas reivindicando a divisão das terras, a água, a lei e justiça que resumiam seus ideais. Assim sendo pelo visto os bandidos geralmente estão na figura do governo e de fazendeiros. Que usam de falta de respeito e falcatruas . Os ideais de Zapata continuam vivos e com grandes esperanças para aqueles que habitam a terra. E lembrando Emiliano "A terra é daquele que trabalha e vive nela.".

Não podemos esquecer que a Independência é sempre o marco que estabelece um processo identitário de  um país, a um território, em que passam a  estabelecer um ritual de vida de um povo a partir uma lógica de soberania.

Revolução Mexicana

O México teve a sua independência e 1822 e desde então é o local em que confrontavam duas grandes tendências políticas em que conviveram os mexicanos num drama terno de golpes militares e conflitos sangrentos. Como o escritor Hecto Alimonda descreve assim "Tratavam de dois projetos opostos de organização nacional" E o confronto se dava até certo ponto entre os conservadores representados pela onipotência da Igreja Católica, e a ideia da sociedade mexicana nos moldes aristocrático e hierárquico herdados do período de colonização num pressuposto de continuidade as relações em que estavam submetidos os indígenas e na maioria absoluta da população.

E quem enfrentavam eram os liberais deslumbrados pelo iluminismo europeu que pretendia reordenar a sociedade de acordo com os seus princípios, mas deparavam com um conjunto de abstrações  que compunham a realidade latina americana. Liberdade de comercio,  de associação, de expressão, igualdade perante a lei,  e regime republicano constitucional, os mexicanos , talvez pela força oponente clerical e pela violência de seus enfrentadores acrescentaram propostas mais radicais. A orientação de base agrária do país: com a destruição desta base colonial, de latifúndios improdutivos criando um pais moderno aumentando a produtividade e o mercado internacional. Numa base formada por produtores agrícolas independentes

Ao mesmo tempo em que se esvazia em seus conflitos internos, o México foi presa de cobiça dos Estado Unidos da América, que expandia para o oeste e que provocou um a guerra, e assim o México perde metade do seu território. E neste impacto os liberais chegaram ao poder. E entre 1857 e 1859 montou os mecanismo legais da Reforma, uma Constituição Liberal e as leis de desapropriação e de nacionalização dos bens da Igreja até então dona da metade das terras. Além da dissolução das comunidades indígenas. Com objetivo de criar a classe de pequenos produtores. E esse era o cenário até a chegada de Porfírio Díaz.

Porfírio que destacou-se na luta contra os franceses, na defesa de Oaxaca, que incorporou ao seu exercito grande massas populares, em 1876 ocupou a presidência por meio de um movimento militar deu um golpe. E manteve-se no poder até 1911.

O que chamou-me atenção foi o positivismo estabelecido no México, com a ideia do francês August Comte e Stuart Mill do século XIX, parece o Brasil que não apenas adotou essa ideia mas botou a frase do francês no meio de sua bandeira. Uma forma ditatorial de chamar  atenção puxar a orelha do povo, para organizar à ordem como se gado fosse senão não teria o   progresso.

Em 1877,o general Porfírio Dáz,  que chegou neste supetão  de um golpe de militar assumiu o poder no país, implantando um governo pessoal que estendeu até 1911. Durante seu longo governo porfiriato, se fez reeleger várias vezes presidente, mantendo, assim, uma aparência de democracia no país.

Durante o seu governo o México se integrou cada vez mais ao capital norte americano, que teve a facilidade de penetrar no país mexicano explorando os recursos minerais, as ferrovias e as atividades financeiras. E o porfiriato se apoiava nos grandes proprietários de terras, beneficiados pela concentração das propriedades rurais e pela exploração brutal da mão de obra praticamente servil.

Durante os tria e três anos que Porfírio Diaz esteves no poder, no pais teve algumas indústrias de bens não duráveis, como industrias  de tecidos de alimentos e de bebidas. E no caso o crescimento de uma incipiente burguesia, a ampliação dos grupos médios e  urbanos, além do surgimento de uma classe operária concentrada em algumas poucas cidades.

Essa concentração da propriedade rural, permitiu a miséria em massa das camadas camponesas, expropriadas das antigas terras de uso comum por parte da comunidade indígena; a insatisfação da burguesia industrial e dos grupos médios levaram  a um movimento revolucionário, em 1910, contra o governo Díaz. Iniciada com uma oposição política, a revolução, em pouco tempo transformou-se em um movimento social com intensa participação camponesa. E isto levou Díaz a renunciar em 1911, o que não solucionou os problemas em últimas análise estruturais.

Foi um tempo difícil, pois com Porfírio os camponeses começaram a enfrentar a plantação de cana-de açucar com dezenas de engenhos instalados. Essas fazenda começam a usar a chamada mão de obra cativa, esses fazendeiros desviam os cursos dos rios, e a população começavam a passar sede, os seus animais morrim de fome se lembramos que antes de Porfírio havia 118 povoados em 1910 eram 100 apenas. Os camponeses tentaram defender-se por meios legais valendo -se de títulos coloniais, conservados durante séculos, mas foi tudo inútil. Porfírio ocupou 14 hectares de pastos  comunais do povoado de Yautepec. começam as mortes de líderes camponeses.

Com a queda do Porfírio Díaz, assumiu o poder Francisco Madero, com promessas de reforma agrária, que, no  entanto não se efetivaram. E o próprio Madeiro era um rico proprietário de Cahuila. E neste contexto que vai surgir o movimento revolucionário liderado , no sul por Emiliano Zapata e, ao norte por Pancho Villa, que propunha em síntese , a nacionalização das terras dos inimigos da revolução, e a devolução das terras usurpadas às comunidades indígenas e a expropriação dos latifundiários.

As propostas de Villa e Zapatta não foram atendidas por Madeiro, nem por Huerta, seu sucessor. Desta maneira, o movimento revolucionário se alastrou, e  em 1914 , o general Huerta foi derrubado por Carranza, um fazendeiro que aderira a revolução e que contou com o apoio de outros líderes revolucionários. A extensão do movimento revolucionário e seu forte conteúdo social levaram os Estados Unidos da América preocupados com os rumos dos acontecimentos a ocupar Vera Cruz, em abril de 1914.

As lideranças moderadas, com Carranza à frente, chegam ao poder julho de 1914, com  proposta de elaborar uma Constituição de conteúdo liberal e reformista. Ao mesmo tempo, seria uma forma de neutralizar a revolução camponesa. As pressões norte americanas se ampliaram, chegando à intervenção armada no país, com o objetivo de capturar Pancho Villa. Em 1917 é promulgada a Constituição que apresenta os seguintes pontos:


a)Separação entre Estado e Igreja e a diminuição dos poderes do clero.

b)direito do Estado à expropriação as terras, desde que em benefício público

c)o subsolo passa a ser de propriedade do Estado e a exploração para o bem público

d)reconhecimento dos direitos das comunidades indígenas sobre as terras de uso comum

e)Legislação trabalhista: salário mínimo, jornada de 8 horas/dia, descanso dominical e assim por diante.

E o que aprendemos ao longo do tempo foi que ocorreu uma chamada utopia camponesa, numa coligação Villa com Zapatta. Emiliano Zapatta toma Chipancingo em 23 de março de 1914, que era a capital do Estado de Guerreiro, enquanto as tropas americanas avançavam em Vera cruz. Temos a Divisão do Norte comandada por Francisco villa que destrói o exercito federal, em 13 de agosto temos as tropas federais rendendo-se. Em 20 de agosto de 1914 Carranza toma o poder, O exercito do Sur começa a distribuição de terras, de acordo com o plano de Ayala em 8 de setembro. Na coligação de Emiliano Zapata com Pancho Villa temos a luta contra as tropas do general Obregón. Zapata ocupa Puebla.

Em 1915 Carranza promulga a lei da Reforma agrária no dia 6 de janeiro. O general obregón ocupa o distrito Federal em 28 de aneiro 1915. surge o Pacto de Carranza com a Casa del Obrero Mundial é o apoio do movimento sindical aos constitucionalistas e tem a formação dos Batallones Rojos que vão lutar contra Pancho Villa. Em fevereiro de 1915 A expedição do General Pershing cruza a fronteira, em perseguição a Pancho Villa. As tropas de Oregon derrota a divisão do Norte. O exercito libertador del Sur mantem suas posições em Morelos e aprofunda a reforma agrária e realiza a auto gestionária em março de 1915.

Em 1916 A divisão do norte é destruída e Pancho Villa mantem a guerrilha. A expedição de Pershing se retira. Carranza dissolve os batalhões Rojos e reprime com violência o movimento operário. O exercito federal inicia outra campanha em Morelos conduzida pelo general pablo González, ocupa Cuernavaca e outras cidades mas é obrigado a retroceder. Carranza promulga a Constituição. Os zapatistas mantém o controle de Morelos em  5 de fevereiro 1917. mas em 10 de abril de 1919 temos o assassinato de Emiliano Zapatta. E em 1920 O general Oregón lança o Plan de Agua Prieta avança sobre a capital e aliando aos zapatista assume a presidência. A revolução termina começa o que se chama da reconstrução da ordem.

E desta forma aparentemente a Revolução havia alcançado seu objetivo. No entanto os líderes camponeses foram assassinados Zapatta em 1919 e  Pancho Villa em 1923. E as pressões estado-unidense ampliaram, o clero condenava os ideais revolucionários. Os avanços revolucionários foram ficando mais lentos.

No final da década de 1920 é criado o Partido Revolucionário Institucional -PRI, tentando reunir as várias forças que haviam combatido a ditadura de Porfírio Díaz. O caráter reformista e conciliador do PRI, desde então e ainda hoje no poder, permitiu a burguesia mexicana legitimar no poder e impor um projeto de dominação e controle politico social. Desta maneira esmagar de vez os ideais da revolução camponesa e implantar definitivamente o capitalismo no país. E só paa lembrar que todos os presidentes foram do PRI, que e um partido hoje inclusive filiado a Internacional Socialista, porém nada tem de socialista há sim uma agenda neoliberal, com inclusive privatizações, liberalizações do comercio , cortes nos gastos públicos, na minha opinião pode ser uma social democracia revisionistas que negam o socialismo e seu aspecto revolucionário como baseias teoricamente em Eduard Bernestein. Mas é somente um olhar superficial  sem um aprofundamento com  acuidade precisa. E pelo visto isto começou a mudar somente neste século XXI. Mas a mudança é uma outra história.

Mas o importante é que o legado de Zapata permanece vivo, particularmente entre os grupos revolucionários do sul do México. Disse ele uma vez. "O melhor morrer de pé do que viver de joelhos" O Movimento Zapatista e seu Exército Zapatista de Libertação Nacional EZLN são diretamente inspirado na história e nas ações de Emiliano Zapata.

E sabemos que o cinema retratou Emilizano Zapata em filmes como a atuação de Marlon Blando -(Viva Zapata! 1952), Jaime Fernandez 1966, Tony Davis 1969, Antonio Aguilar (Emiliano Zapata de 1970) e Alejandro Fernandes (Zapata -El sueño de heróes 2004) Com o diálogo na língua Nahuatl.




Manoel Messias Pereira


professor de história
Membro do Coletivo Negro Minervino de Oliveira
Membro do Instituto Histórico , Geográfico e genealógico de são José do Rio Preto-SP. Brasil
Mmbro da Academia de Letras do Brasil -São José do Rio Preto-SP, correspondente Uberaba-MG
São José do Rio Preto -SP.




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