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Crônica - Os 37 anos de saudade da camarada Dina Sfath - Manoel Messias Pereira

 




Hoje 37 anos de saudade da camarada Dina Sfat


Hoje refletimos um pouco sobre a trajetória da artista Dina Sfat, falecida exatamente em 20 de março de 1989., portanto a 37 anos.  Ela que nasceu em São Paulo, no dia 28 de outubro de 1938, Dina Kutner de Souza, filha de pais judeus poloneses, em pleno Estado Novo, quando estava no poder Getúlio Vargas, num momento em que havia um clima tenso, se nós observarmos que neste corrente ano no dia 11 maio os integralistas que eram os extremistas de direita liderado por Plinio Salgado invadiram o Palácio Guanabara onde era a residência oficial do governo federal, e foi também no ano  em que no mês  julho foram assassinados Virgulino Ferreira e Maria Bonita, além de que no mês de março/1938,  o escritor  Graciliano Ramos lançava o livro Vida Seca pela editora José Olympio, mostrando a saga dos retirantes uma verdadeira obra prima  com a crítica de um sistema político como o capitalismo alicerçado nas ideias marxistas, e que inspirou o artista plástico Portinar na sua série "Os retirantes", e o cineasta Nelson pereira dos Santos na adaptação cinematográfica em 1963 e inspirou o escritor João Cabral de Melo Neto no poema "Morte e Vida Severina".

Mas a grande importância foi o aparecimento desta luz, que veio brilhar nos palcos, na Tv, e nos cinema brasileiro com o nome de Dina Sfat. Teve uma vida toda alicerçada na arte da interpretação, e sua vida só foi interrompida, pela morte, vitimada pelo câncer. E assim aos cinquenta anos de idade no dia 20 de março de 1989 ela  partiu fisicamente. E ficando para posteridade eternamente.

Porém cabe a nós lembrarmos que na sua arte, o que faz recordarmos o brilho de sua interpretação, era sim a sua doação nos palcos, cujo a estreia se deu em 1962 no espetáculo Antigone América dirigido por António Abujamra. Dai os seus passos foram de gloria no teatro amador e no Teatro de Arena, com a personagem Manuela na peça "Os fuzis da Senhora Carrar"obra de Bertold Brecht.

Na década de 1960 conquistou o prémio governador do Estado de melhor atriz por sua atuação em "Arena conta Zumbi". E em 1965 um musical de Gianfrancesco Guarnieri e Augusto Boal, ela apresentou-se no Rio do Janeiro estreia a peça "Rei da Cidade". Já a sua estreia no Cinema  foi "corpo ardente " com a direção de Walter Hugo Khouri. E em 1969 ela viveu a guerrilheira Ci de Macunaima, um filme premiado de Joaquim Pedro de Andrade, ao lado de seu esposo Paulo José.

E quando lembramos de Paulo José, lembro que com Dina tiveram três filhas Bel Kurtner e Ana Kutner, e Clara Kutner, todas elas seguiram a arte da interpretação e Clara foi assistente de direção de cinema.

Mas a maioria das informações da arte de Dna Sfat, aparece na Tv, desde a Tv Tupi, Excelsior, na Tv Record e Tv Globo. São quase 16 obras interpretadas, e alguma coisa chama atenção na TV Tupi, ela fez duas novelas cujo o personagem tinha um mesmo nome, na primeira novela era Maria Luisa Carvalho Salgueiro e noutra novela intitulada o Amor tem cara de mulher a personagem dela era Maria Luiza Munhoz Magalhães. Já na TV Excelsior na novela Fantoche a personagem dela chamava Laura Cardoso Silvestre. E na sua última novela na TV Globo chamada "Bebe a bordo" a sua personagem era Laura Guedes e nesta mesma emissora por duas vezes a personagem que lea interpretou chamou-se Risoleta, ou seja na novela Gabriela ela era a Risoleta Galvão das Onças ou Zarollha, na novela Saramandaia a personagem era Risoleta Camargo.  Essas são observações dos personagens, quando lembro desta atriz. Há também na Record ela participou da novela Os acorrentados e a personagem era Isabel Trancoso Cunha.

Um assunto que poucos falam mas era uma estudiosa do marxismo, e militante do Partido Comunista Brasileiro-PCB. Inclusive era uma pessoa a ser cotada para a candidatura a presidência da república no período de 1989, ou seja a primeira eleição direta depois da ditadura de 1964. Porém era quase impossível isto ocorrer devido a sua saúde.

Em 1986 Dina Sfat descobriu um câncer no seio. E mesmo com a doença viajou para a ex- União Soviética -URSS e até participou de um documentário sobre os primeiros anos da Perestroika. E em 1988 foi protagonista de um livro onde contou a sua vida e a sua luta contra o câncer, livro este que recebeu o título "Dina Sfat - Palma pra que te quero" texto feito junto com a jornalista Mara Caballero.

Seu último trabalho na Televisão foi "Bebe a bordo", seu último filme "O judeu que somente estreou após a sua morte. E foi assim que aos cinquenta anos ela deixa a vida de lutas, respirações, inspirações, interpretações e luz sobre os palcos e parte para o além, deixando em nós um olhar sobre o céu e em nossos pensamentos a eternidade de uma estrela que por aqui passou e só encantou.


Manoel Messias Pereira

professor de história, cronista e poeta
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB
São José do Rio Preto -SP. Correspondente de Uberaba-MG.






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