crônica - O camarada Graciliano Ramos ao fechar os olhos segurou as mão de sua amada Heloisa. - Manoel Messias Pereira
O camarada Graciliano Ramos ao fechar os olhos segurou as mão de sua amada Heloisa.
Em 20 de março de 1953 falecia no Rio de Janeiro, Graciliano Ramos, o escritor brasileiro, autor de São Bernardo, de Memória do Cárceres e Vidas Secas. Um brasileiro , comunista, que em sua obra denunciava a concentração de terras nas mãos de poucos e a selvageria do sistema capitalista. Ele que nasceu em 27 de outubro de 1892 em Quebrangulo.
É importante observar que no ano em que ele nasceu, observamos que a imprensa dizia ser aquele ano de crise econômica e tinha uma ínfima participação popular. E nós podemos observar que num ano seguinte vamos encontrar um registro do escritor Aluísio Azevedo que escreve de que o povo não deve distrair a sua atenção das misérias em que vegeta ou dos perigos que ameaça. Isto mostra o quanto era preocupante a situação do capitalismo brasileiro. Que é o sistema que vive de crise e se transforma na crise e reprime as participações populares.
Quando observamos a obra de Graciliano Ramos, sabemos que os professores de literatura vão classificá-lo, como um escritor da segunda geração do modernismo brasileiro, um autor de carater realista e regional.
Graciliano dizia que escrever ou o oficio da escrita pressupõe simultaneamente, uma experiência de solidão e construção coletiva.
Observando o livro de biografia de Graciliano escrito por Denis de Morais chamado o Velho Graça, da Editora José Olímpio, o autor vai afirmar que Graciliano foi apresentado para ele no Colégio Andrews principalmente no livro Vidas Secas, e Denis disse que ficou intrigado com a vida daquela família de retirantes, e que o flagelo da seca mostrado na obra parecia coisa de outro mundo.
E aproveitando para tratar dos personagens nesta obra, o que vemos é que a cachorra chamada Baleia tem um aspecto humanizado com sentimentos e pensamentos próprios e já os personagens humanos como Sinhá Vitória, Fabiano e os dois filhos tem um comportamento animalizado.
O que demonstra essas questões levantadas na obra, que é um tratado realista. É que há neste país, desde o princípio do século XX, onde tudo se passa um certo descaso social humano.
Entre os seres humanos a Sinhá Vitória apresenta um comportamento mais equilibrado, pois o Fabiano usa od expediente da bebida, e na história ele quem vai matar a cachorra Baleia, quando ela adoece, fica cheia de manchas escuras, supurava, sangrava tornou-se pele e osso fica coberta de moscas sofrendo com hidrofobia, e nisto Fabiano mata-a.
Um outro ponto interessante é que Denis de Morais vai dizer que na obra Memória do Cárceres, ele releu varias vezes e comoveu-se com a obra cinematografia na versão de Nelson Pereira dos Santos. Quando mostra o cidadão humilhado nas prisões de Getúlio Vargas, sem processo ou culpa formada. E Graciliano consegue reconstruir em carne e osso o ambiente lúgubre daquele depósito de seres vivos.
Assisti também esse filme e tive essa mesma impressão além dos agentes que se corrompe dentro do sistema formal.
Embora sei que Graciliano Ramos deu apoio a toda organização da Aliança Nacional Libertadora-ANL, observa-se que ele somente filia-se ao Partido Comunista Brasileiro -PCB em 1945, numa visão democrática e mobilizadora do pós guerra, propício aos sonhos de igualdade e fraternidade. E isto me faz lembrar o camarada António Roberto Vasconcelos, que dizia voce milita, forma-se estuda, somente depois que é convidado a filiar-se.
Graciliano Ramos faleceu vitima de um câncer de pulmão no dia 20 de março de 1953, e dois dias antes de ele eternizar-se vale lembrar que no dia 18 de março os trabalhadores realizaram uma marcha pelas ruas de São Paulo chamada a "Marcha da Panela Vazia" que tinha por objetivo exigir o aumento do salário para os trabalhadores.
Foi este ano que retornou o ditador Getúlio Vargas que acabou falecendo em 1954, por um suicídio inexplicável pois até hoje os especialistas não conseguem explicar a trajetória da bala , trazendo para a história uma dúvida de que alguém apertou aquele gatilho no seu peito. Mas como ninguém tem prova, foi suicídio está bem? Portanto faleceu na chamada Quarta republica como escreveu alguns jornalistas e escritores da época pois a quarta republica nasce em 1946 a 1964 e isso já se aprende na escola do ensino fundamental.
Porém observando um fragmento do livro de Denis de Morais na pagina 296, ele descreve Graciliano adoentado, mas prestigiou o grande almoço em homenagem a Jorge Amado e Zélia Gatai, que retornava do exílio de quatro anos nos salões do Automóvel Club do Brasil e que também foi ao almoço o poeta chileno Pablo Neruda.
E nesta mesma página fala de Graciliano na Argentina, cujo o embaixador José Jobim e sua esposa Ligia se empenhou para que nada lhe faltasse. e Rodolfo Ghioldi acompanharia e a Heloisa e Clara em todos os passos. E na manhã de 19 de setembro, auxiliado por dois médicos e um enfermeiro de confiança de Ghioldi, Taiana daria inicio a uma cirurgia. Mas o tumor era devastador, impossível de extirpar o cirurgião nada podendo fazer a não ser fechar-lhe o tórax. E assim foi dado três meses de vida a Graciliano.
Regressou ao Rio de Janeiro, passou por cinco meses de suplicio e não três meses, com fortes dores no peito que só acalmaria tomando injeções de morfina, mesmo doente gostava de provocar discussões e dizia eu sei que depois da porra desta vida não tem mais nada mesmo.
Quando Josef Stalin no dia 5 de março de 1953, o camarada brasileiro morreu Graciliano Ramos chorou e tinha uma preocupação de que a União Soviética podia desmoronar, pondo a perder a conquista do socialismo. No dia 19 de março diante da fadiga em seu olhar de quem não queria mais duelar com a morte. E no dia 20 de março as 5:35 pela manhã Graciliano cerraria os olhos para sempre segurando as mãos de sua amada Heloisa.
Manoel Messias Pereira
professor de história, cronista e poeta brasileiro
São José do Rio Preto -SP. Brasil
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