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Crônica - O assassinato de Edson Lui´s Lima Souto - Manoel Messias Pereira

 







A assassinato de Edson Luís Lima Souto

texto -Manoel Messias Pereira

O dia 28 de março de 1968, um dia triste para todos os jovens estudantes brasileiros,  quando Edson Luís de Lima Souto, foi assassinado pela policia no Rio de Janeiro quando organizava um protesto contra o aumento de preços da refeição. Porém a sua morte está dentro de um contexto histórico na qual o Brasil em 1964, atendendo aos anseios de Washington estabeleceu neste país, as Operações Condor, Operação Brother Sam e Operação Bandeirantes. E por aqui instalou-se dentro do aspecto da guerra fria em que vivíamos, uma perseguição aos comunistas e a todas as pessoas que tinha um discernimento social, diferente dos  ditadores que assumiram o poder. Pois tínhamos assim o princípio da ditadura civil, militar e burguesa.

E diante deste contexto, estávamos todos com a esfera politica arbitrária para o executivo, reduziram os poderes legislativos e do judiciário houve ainda uma manipulação política na vida pública nacional. E a absoluta autoridade do poder Executivo foi respaldada pela Lei de Segurança Nacional. A UNE - União Nacional dos Estudantes foi colocada na ilegalidade e sua sede foi incendiada pelos militares.

O estudante Edson Luís de Lima Souto, nascido em Belém no dia 24 de fevereiro de 1950, que estudou na sua cidade na E. E. Augusto Meira, cursando o curso do 1. grau como era chamado o Ensino Fundamental e acabou indo para o Rio de Janeiro pra cursar o Segundo grau o que hoje chamamos de Ensino Médio. Era um menino muito pobre e veio estudar na Cooperativa de Ensino n qual funcionava o Restaurante Calabouço.

E com o aumento de preços da alimentação no restaurante ele reuniu com outros estudantes para pedir num protesto para que isto não ocorresse e isto deveria ocorrer neste dia 28 de março na parte da tarde. quando por volta das 18 horas chegou a policia ao local e dispersou todos os estudantes, que estava na frente do complexo. Porém alguns estudantes entraram para dentro do restaurantes, que foram invadidos pelos militares, que foram recebidos também com hostilidades pelos estudantes que saram paus ou objetos para se defender. Os militares diante da revolta dos estudantes saíram recuaram, mas voltaram em seguida e do prédio do Edifício da Legião Brasileira de Assistência atiraram nos estudantes.

A ideia que os policias talvez defendiam era que os estudantes pudessem invadir a embaixada dos Estados Unidos da América embora nenhum estudante tivesse eventualmente defendido isto. Porém o comandante da Policia Militar o aspirante Aloisio Raposo atirou e acertou o jovem estudante secundarista Edson Luís Souto Lima a queima roupa. E outros tiros acertaram outros estudantes assim como Telmo Matos Henrique, António Inácio, Walmir Gilberto Bittencourt, Olavo de Souza Nascimento, Francisco dias Pinto e Benedito Frazao Dutra que também faleceu no Hospital.

Com o assassinato do aluno Edson Luís, os outros estudantes temendo que os policiais pudessem sumir com o corpo não permitiram  que o corpo fossem levado para o Instituto Médico Legal. E a necropsia foi feita no local pelos médicos Nilo Ramos de Assis e Ivan Nogueira Bastos, na presença do secretário de saúde do Estado o Rio de Janeiro.

O atestado de óbito de n.16982 teve como declarante o estudante Mario Peixoto de Souza. E o registro de Ocorrência foi feito na 3a. Delegacia de Polícia de n. 917. E teve um velório no dia 2 de abril de 1968 enquanto foram mobilizados estudantes de todo o Brasil. 

Em São Paulo quatro mil estudantes fizeram manifestações na Faculdade de Medicina da Universidade de São Paulo - USP, no Centro Acadêmico XI de agosto da Faculdade de Direito do largo de São Francisco, na Politécnica da USP e na Pontifícia Católica -PUC.

E no dia 4 de abril de 1968 ocorreu n Igreja da Candelária a missa de Corpo presente, e a Igreja foi cercada pela Policia, que adentrou a casa Santa, atacou o povo com golpes de sabre e dezenas de pessoas ficaram feridas. Quando num ato de coragem o clérigo saiu de mãos dadas na porta da Igreja.

Esse ato segundo o historiador Francisco de Assis, passou a simbolizar a desproporcional violência da ação repressiva militar contra os estudantes.

E assim outros atos ocorreram e basta lembrar que em 21 de junho de 1968, numa sexta feira, saíram  as ruas e foi chamada de sexta feira sangrenta quando 28 pessoas acabaram mortas. O que esses estudantes reivindicavam  eram verbas para a educação e combatiam as restrições às liberdades civis e políticas introduzida no pós 1964. Enquanto que o governo defendia o estimulo a privatização aliada ao United States Agency for International Develompment (USAID), que reduziria o gasto estatal.

Porém em protestos agora que reuniu estudantes, intelectuais, artistas, padres e movimentos sociais, realizaram a Passeata dos 100 mil, e para surpresa de todos essa manifestação não foi reprimida, pois o governo federal ordenou a retirada das tropas da rua. E assim esses protestos juntaram as greves operárias coma de Contagem em Minas Gerais a de Osasco em São Paulo e que acabaram sendo reprimidas com rigor.

Em relação a essa história de Edson Luís Lima Souto, teve por parte do compositor Milton Nascimento e Ronaldo Bastos os a composição da música "Menino" e que foi interpretada por Elis Regina. Outra música foi Coração de Estudante. E essa tragédia foi retratada na novela Amor e Revolução lançada em 28 de setembro de 2011. 



E em 2011 no dia 28 de março foi inaugurada um monumento do Estudante Edson Luís na praça Ana Amélia. Uma obra de arte produzida pela artista plástica Cristina Pozzobon no local onde estava o restaurante. O Monumento foi uma oferta à cidade pela secretaria Extraordinária dos Direitos Humanos, uma escultura com base de três metros pintados de vermelho e um mastro com uma bandeira em movimento ao meio manchas vermelhas. E hoje é o Dia Mundial do estudante em luta.

E hoje na cidade de Campinas -SP, há uma escola chamada EMF Edison Luis Lima Souto.


Manoel Messias Pereira

poeta

São José do Rio Preto -SP. Brasil




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