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Crônica - É preciso ler Alexandra Mikhailovna Kollontai - Manoel Messias Pereira

 





É preciso ler Alexandra Mikhailovna Kollontai

Hoje falamos no exercício de ler Alexandra Mikhailovna Kollontai ela que nascera em 31 de março de 1872, e falecera em 9 de março de 1952, foi uma líder revolucionária marxista russa, que serviu como Comissária do Povo para o bem estar no governo de Vladimir Ilicth Ulianov o Lenin de 1917 a 1918. Foi uma mulher extremamente importante no Partido Bolchevique.

Era filha de um general russo, de formação liberal o que muito ajudava-o na compreensão e lida do governo teocrático do Czar. Era uma pessoa em que Alexandra sempre estava próxima, pois com ele ela compartilhava aspectos analíticos da história e da própria política. Coisa muito diferente entre ela e a sua mãe. Outro ponto interessante foi que o seu pai foi soldado da cavalaria na guerra russo-Turca de 1877 a 1878.

Alexandra era chamada carinhosamente de Shura, foi uma boa aluna, teve uma educação e uma vida até certo ponto com a possibilidade de uma relativa tranquilidade. Ou seja não foi uma esfomeada e não teve dificuldades econômicas no primeiro momento. Tanto que muito antes de casa ela procurou estudar e formar-se para professora. Estudou francês e literatura russa. E no seu primeiro marido, sua mãe zombou dela de que ela sempre teve tudo e o marido que era um primo não tinha uma situação financeira estabilizada e dizia como vai viver, quando Alexandra informou que ela trabalharia, e ajudava a custear avida.

Porém era uma menina que sempre apresentou-se como boa aluna, teve uma cultura relativamente boa, embora nascida em San Petersburgo, ela falava em francês em casa, falava o inglês com a babá, o finlandês com os camponeses e a família tinha herdado uma propriedade de seus avôs maternos em Kuusa em Muoloa, no Grão Ducado da Finlândia.

E observamos que Alexandra procurou continuar os seus estudos  em uma universidade, mas sua mãe não permitiu, oferecendo a argumentação de que a mulher não tinha necessidade real para o ensino superior e que os jovens impressionáveis encontrou muitas ideias radicais perigosas e com isso Alexandra foi obter o exame para ter o certificado de professora, muito antes de arrumar um marido,

O que chama a atenção nesta moça que todos sabem foi uma grande feminista da época adepta do amor livre, foi a primeira mulher nomeada no Comissariado do Povo, que fundou o Zhenoldel que trabalhou para melhorar os status da mulher na URSS e foi reconhecida como chave do feminismo marxista ou seja de classe. E as analise que ela fazia inclusive em seus discursos.

Destaco por exemplo aquele que ela cita do herói, do soldado e o papel que ele estava prestando e para que?. E isto mais tarde vai refletir para nós que sempre lemos historia naquela famosa máxima do homem novo do fascismo, precisa ter a virilidade e o excesso de burrice, e que soldado é como um cão treinado para morder não usa nada de cérebro somente extinto animal.

Vamos ver o que ela escreve, obviamente num fragmento de discurso " Texto quem precisa da guerra" A guerra ainda não havia acabado, na verdade o seu fim não estava a vista, mas o número de aleijados se multiplicava, os sem braços, os sem pernas, os surdos, os mutilados....Eles partiram para a carnificina mundial - casa forte, saudável. A vida deles ainda estava ir para a frente. Poucos meses, semanas e até dias eles foram trazidos para as enfermarias, voltam meio mortos, aleijados..."

"Heróis", dizem aqueles que iniciaram uma guerra europeia, que enviaram um povo contra o outro, o trabalhador de um país contra o trabalhador de outro. Pelo menos agora eles ganharam um prêmio! Vão andar por aí com suas medalhas! E o povo vão respeitá-los"

"No entanto na vida real as coisas são diferentes. O herói regressa à sua aldeia ou vila natal e, quando chega não consegue acreditar no que vê, no lugar do respeito e da alegria, encontra à sua espera sofrimentos e desilusões. Sua aldeia foi reduzida a pobreza e a fome. Os homens foram arrastados para a guerra, os rebanhos requisitados....Os impostos devem serem pagos, não há quem faça o trabalho. As mulheres estão perdidas. E eles estão abatidos, famintos e exaustos de tanto chorar. Heróis aleijados vagam pela aldeias alguns com uma medalha outros com duas. E o único respeito que o herói recebem é a censura de sua família, que eles são parasitas que come o pão dos outros. E o pão está racionado!"

Esse é um fragmento bom para entender como toda a guerra é inútil do ponto de vista social de quem luta, de quem se desgraça sem saber por que, sem entender a lógica dos poderes. Pois como dizia Hitler, soldado é como cão de guarda, sem consciência.

Noutro fragmento ela escreve perguntando porque eles estavam lutando? E nisto ela escreve:

"Pergunte por que os soldados estão lutando seja esses russos, franceses, alemães? Por que eles derramaram de seus irmãos , trabalhadores, camponeses? Por que aleijaram pessoas? Eles não vão responder por que eles mesmos não sabem...."

É exatamente isto esses são apenas aqueles que morreram sofreram e depois serão esquecidos, muitos que morrem na guerra tem o corpo queimados, desaparecem, tem o sangue esgotado ao céu aberto e apodrecem pelos campos de batalhas pelas ruas urbanas.


Noutro ponto, noutro fragmento ela escreve sobre "Quem é  responsável pela guerra?" 


E neste contexto se perguntar para os alemães eles vão dizer foram os russos os responsáveis pela guerra se perguntar aos russos eles vão dizer  são os alemães na verdade os responsáveis precisam serem punidos mas ninguém sabe.

Pois bem neste contexto, da Primeira Grande Guerra e na segunda é óbvio, que foi responsável a insanidade capitalista. Foi um confronto de países imperialistas dentro dos marcos inicialmente europeus mas que sobrou para outros continentes também como África e Ásia. Basta verificar a Operação Meetinghouse em Tóquio, e vê a desgraça que essa porcaria de guerra causou. Vê a quantidade de mortos, vê a quantidade de prédios para ser construído. É óbvio que isto movimentou a economia. Afinal a guerra é uma indústria. Ou será pra que que fabricam metralhadora? A resposta  é para matar mais rápido o seu próximo!  Por que que existe bomba atômica? A resposta é para desintegrar fisicamente tudo mais rápido! Ou seja quem fabricou e quem vendeu arma faturou. Quem financiou a compra e a tragédia humana também, que fez  o acordo de paz também. Porém o soldado é apenas um peão um boneco de pano, como um espantalho, porém de carnê osso e sangue que vertem. E por isso eu gosto de ler os textos desta moça ela faz a gente refletir muito além dos marcos  do partido da burocracia, do bolchevismo do menchevismo. Ela traz a reflexão não do final do século XIX e princípio do século XX mas para a realidade eterna enquanto tivermos esse modelo de ficar triste, de matar o próximo e deixar que as lágrimas falem por nós. Sem entender que há o capital e o capitalismo como motor da desgraça da guerra. E é isso.

Alexandra Kollontai foi a primeira mulher a ocupar cargos diplomáticos no Século XX. Em 1918 ela publicou uma critica radical no Pravda sobre a oposição unificada e, alinhou-se disciplinarmente aos seguidores de Josef Stalin. E em 1918 Organizou o I Congresso da Mulher Operária Russa, quando escreveu "O Comunismo e a Família", quando foi criado o departamento feminino do Partido.

Ela tem um conjunto de obras escritas desde 1903 quando escreveu sobre a situação da classe operária na Finlandia, Em em 1906 escreveu sobre a luta de classe e, neste mesmo ano escreveu sobre o Primeiro Almanaque Operário, em 1908 escreveu A base social das questões feminina. Em 1907 encontra -se o livro sobre a Finlandia e o socialismo e 1918 A Nova Mulher, e há outros textos como Sociedade e Maternidade e Quem precisa da guerra.

Em 1922 ela foi nomeada assessora da embaixada soviética na Noruega. Em 1924 foi encarregada de negócio e ministra plenipotenciaria soviética na Noruega.

Em sua biografia falam que nunca ela levantou a voz de forma alguma, mesmo quando o seu amor no exílio Alexander Shliajpnikov ou seu esposo da época revolucionária Pavel  Dybenko e inumeros outros amigos que foram executados. ela nunca concordou em acusar, trair alguém durante um julgamento, sempre tentou ajudar apelando para Molotov e outros.

Na véspera de sua morte, até recebeu uma advertência do Comitê Central, pelo então ministério das Reações exteriores para que parasse de incomodar em nome deste ou daquele amigo. E em 1952 no dia 9 de março em Moscou ela veio a falecer.

Eu penso que ler os textos de Alexandra Kollontai, deva ser um exercício, devidamente praticável, a todos que necessitem exercer a sua filosofia numa práxis em que possam caminhar guiando os passos e entendendo que há pessoas pensando enquanto que outra apenas flutuam mesmo dando passos em terras firmes. Ou seja um jogo de palavra em sentido figurado tá bom. E por ora é isso apena. Creio que todos possam fazer boas leitura que possa ajudar no seu livre pensar, pois cada um de nós somos seres pensantes, seres filosóficos e portadores de direitos e deveres e tomará que cada um exerça como parte da sua existência,a ética, o respeito e  a responsabilidade em ter um mundo melhor.




Manoel Messias Pereira


professor de história e cronista
São José do Rio Preto -SP.
Membro do Instituto Histórico, Geográfico e Genealógico de São José do Rio Preto -SP. Brasil
Membro do Coletivo negro Minervino de Oliveira de são José do Rio Preto -SP
Membro da Academia de Letras do Brasil -São José do Rio Preto-SP/Uberaba-MG. Brasil



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