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USP - Sétima edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher

 Sétima edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher reconhece trajetórias femininas de destaque na academia

Premiação da SBPC foi realizada no Centro MariAntonia e homenageou pesquisadoras de destaque em três áreas do conhecimento, valorizando a participação das mulheres no cenário acadêmico

  Publicado: 12/02/2026 às 15:19

Texto: Michel Sitnik

Arte: Gustavo Radaelli*



 As homenageadas na 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher foram recebidas pelo reitor no Centro MariAntonia da USP, um edifício simbólico e que teve papel histórico na formação da Universidade e no desenvolvimento da ciência brasileira – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens


Ocorreu na última quarta-feira, dia 11 de fevereiro, a entrega da 7ª edição do Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher, promovido pela Sociedade Brasileira para o Progresso da Ciência (SBPC). Realizada no Salão Nobre do Centro MariAntonia da USP, a cerimônia celebrou a produção científica nacional e a busca pela equidade de gênero na ciência brasileira.


Ao cumprimentar o público presente, o reitor Aluisio Augusto Cotrim Segurado lembrou a simbologia do local que recebeu o evento: “É uma imensa alegria representar a nossa Universidade nesta solenidade, que traduz o entendimento de que a ciência é um espaço universal a ser ocupado por todos, servindo como motor de desenvolvimento pessoal, social e econômico para o País. Não poderia haver lugar mais simbólico para esta cerimônia do que o Centro MariAntonia, sede original da Faculdade de Filosofia, Ciências e Letras, que representou, em períodos difíceis da vida brasileira, um espaço de resistência, de defesa da democracia e de promoção da cultura e da ciência”, destacou.


Segurado também reforçou o compromisso da nova gestão reitoral, iniciada há duas semanas, com a pesquisa transformadora. “Trago a vocês o compromisso de promover a excelência científica voltada à formação cidadã e ética, capaz de enfrentar os desafios contemporâneos e reduzir as desigualdades que caracterizam a sociedade brasileira. Esta cerimônia deve sensibilizar as futuras gerações sobre a necessidade de impulsionarmos novos talentos para perseguirem aquilo que a sociedade espera de nós. Esta é a responsabilidade das universidades públicas, da qual jamais abriremos mão”, afirmou.


Nesta edição, voltada à categoria Mulheres Cientistas, pesquisadoras da USP foram reconhecidas nas três áreas de premiação e nas menções honrosas.




Maria Arminda do Nascimento Arruda, entre a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, e o reitor Aluísio Augusto Cotrim Segurado. Maria Arminda foi vice-reitora da Universidade de 2022 a 2026, além de ter exercido os cargos de diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas e de pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária – Foto: Cecília Bastos/USP Imagens


Na categoria Humanidades, a Professora Emérita da Escola de Comunicações e Artes (ECA) e ex-diretora do Museu de Arte Contemporânea (MAC), Ana Mae Barbosa, foi a vencedora. “Este prêmio me traz emoção e alegria. Emoção por ser concedido neste edifício, que é um símbolo da vitória da democracia e que foi reconstruído como centro cultural no período em que meu marido, João Alexandre Barbosa, era pró-reitor de Cultura e Extensão da USP. Minha alegria vem também de ter conhecido Carolina Bori durante a redemocratização da Universidade; ela era uma mulher fantástica, que sabia ouvir e possuía uma linguagem dialogal, longe do tom doutoral”, celebrou. “Este prêmio é de todos os educadores engajados na luta para que a arte seja entendida como uma expressão complementar à verbal, fundamental para o desenvolvimento humano. Jamais devemos desistir: a lição que carrego é a de lutar até o fim pela educação e pela valorização da nossa cultura, pois somos do lugar onde nossa cultura foi feita”, completou.


Em Ciências Biológicas e da Saúde, a homenageada foi Luisa Lina Villa, médica, professora do Departamento de Radiologia e Oncologia da Faculdade de Medicina (FM) e chefe do Laboratório de Inovação em Câncer do Instituto do Câncer do Estado de São Paulo (Icesp). A pesquisadora teve papel fundamental no desenvolvimento da vacina profilática contra o papilomavírus humano (HPV), que está relacionado ao câncer de colo de útero. “Recebo com muita gratidão este prêmio, ciente de que uma honraria desta magnitude não se recebe sozinha. Minha trajetória foi construída com a contribuição de mentores, inúmeros colaboradores e alunos que nos desafiaram a avançar no conhecimento sobre o HPV. É esse trabalho que nos permitirá, um dia, celebrar a eliminação de doenças como o câncer de colo de útero, que ainda vitima tantas mulheres”, destacou. Ela dedicou o prêmio às mulheres que participam das pesquisas e deixou uma mensagem de incentivo: “A palavra para os jovens é persistência e determinação. A ciência é uma construção coletiva e o que temos é um compromisso por toda a sociedade. Hoje, este reconhecimento me faz sentir plena e realizada”.


Nísia Verônica Trindade Lima, menção honrosa em Ciências Biológicas e da Saúde - Fotos: Cecília Bastos/USP Imagens

Nísia Verônica Trindade Lima, menção honrosa em Ciências Biológicas e da Saúde - Fotos: Cecília Bastos/USP Imagens.




Já em Engenharias, Exatas e Ciências da Terra, o reconhecimento foi para Iris Concepcion Linares de Torriani, da Universidade Estadual de Campinas (Unicamp), que destacou o papel de formação das instituições. “O sucesso de uma orientadora não reside no êxito individual, mas sim no sucesso daqueles que ajudamos a formar. É motivo de grande orgulho ver que muitos desses pesquisadores hoje ocupam lugares prestigiosos ao redor do mundo, demonstrando a excelência da formação acadêmica brasileira”, disse. “Sinto-me plenamente realizada por ter contribuído para a formação de tantas pessoas que hoje mostram a capacidade do Brasil em produzir conhecimento de ponta.”


A socióloga Maria Arminda do Nascimento Arruda, que, além de vice-reitora da USP na última gestão (2022-2026), também já foi pró-reitora de Cultura e Extensão Universitária e diretora da Faculdade de Filosofia, Letras e Ciências Humanas (FFLCH), recebeu menção honrosa na categoria Humanidades. “Receber esta honraria da SBPC é uma distinção que afirma lugares de dignidade para as acadêmicas. É um reconhecimento particularmente significativo no atual momento do Brasil e de São Paulo, Estado que registra índices alarmantes de feminicídios. Quando mulheres são agraciadas, esses momentos simbolizam questões que ultrapassam a figura de quem recebe a honraria; afirmam a relevância da presença feminina na esfera pública”, destacou. Relembrando sua formação marcada pela resistência da SBPC no período militar, Maria Arminda completou: “Minha consciência sobre o papel da ciência foi forjada no respeito pelas instituições e na convicção de que o debate científico deve ser permeado pela defesa da democracia”.


Além dela, as outras menções honrosas foram direcionadas a Marilia Oliveira Fonseca Goulart, da Universidade Federal de Alagoas (Ufal), na área de Exatas e Ciências da Terra; e à ex-ministra da Saúde, Nísia Verônica Trindade Lima, da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), em Ciências Biológicas e da Saúde.  A ex-vice-presidente da SBPC, Vanderlan da Silva Bolzani, que idealizou a premiação, também recebeu reconhecimento por ter criado a iniciativa e recebeu uma placa de agradecimento.


Valorização e equidade na ciência


Arte do 7º Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher – Imagem: Divulgação SBPC


Instituído em 2019, o Prêmio Carolina Bori Ciência & Mulher é uma das principais iniciativas da SBPC para combater desigualdades estruturais de gênero, já que, embora as mulheres representem mais da metade da população, elas ocupam cerca de 30% dos postos de pesquisa em atividade no mundo.


Durante a solenidade, a presidente da SBPC, Francilene Procópio Garcia, destacou o valor da participação feminina na ciência: “Celebrar as mulheres na ciência é reforçar o compromisso público e a dedicação para com o País. Esta solenidade nos lembra a importância de dar visibilidade a esses nomes para afirmar que as mulheres brasileiras produzem ciência de alto nível e são capazes de liderar equipes e influenciar políticas públicas”.


A presidente ressaltou ainda que a igualdade de gênero deve ser encarada como uma agenda estratégica de desenvolvimento: “Não há soberania científica quando metade do talento nacional enfrenta barreiras estruturais. Precisamos resistir e buscar a transformação nessas estruturas para construir ambientes acadêmicos mais seguros, éticos e verdadeiramente inclusivos”, completou a dirigente.


A láurea é entregue anualmente no dia 11 de fevereiro, em celebração ao Dia Internacional das Mulheres e Meninas na Ciência, instituído pela Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura (Unesco) em 2015. O prêmio alterna-se anualmente entre as categorias Mulheres Cientistas e Meninas na Ciência.


O nome da premiação é uma homenagem a Carolina Martuscelli Bori (1924-2004), psicóloga e primeira mulher a presidir a SBPC. Pioneira na Análise Experimental do Comportamento no Brasil, Carolina Bori teve atuação determinante na defesa da liberdade acadêmica e na articulação da comunidade científica durante a elaboração da Constituição Federal de 1988.


*Estagiário sob orientação de Simone Gomes

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