O Manifesto Comunista
Em 1848 tivemos a publicação do Manifesto Comunista, elaborado por Karl Marx e Friedrich Engels, que possibilitou um novo caminho no pensamento socialista. Ou seja foi possível ter como algo bem demarcado o socialismo utópico e após isto o avanço para o socialismo científico.
Essa foi uma obra, que nasceu num momento histórico de intensa manifestações na Europa e que passou a ser conhecido como a Primavera dos povos. E karl Marx e Friedrich Engels, visava na minha opinião orientar a ação dos trabalhadores, que em primeiro plano deveria objetivar e configurar um Estado proletário.
E além das pretensões explícitas, em sua época também significou a inserções da uma nova corrente ideológica, denominada comunista, no movimento operário.
Marx teorizava, um sistema econômico, negaria a propriedade privada e priorizaria os meios de produção socializados.
Na prática, o termo comunismo apenas se refere às obras e às ideias de Karl Marx e, posteriormente de diversos outros teóricos, inclusive Friedrich Engels, Rosa Luxemburgo, Vladimir Lênin, Leon Trotsky entre outros.
O socialismo científico, foi fundamentado em três correntes, ou seja a dialética hegeliana, a economia inglesa e no socialismo, com um olhar para a França.
A dialética desenvolvida por Hegel, afirmava que cada conceito possui em si o seu contrário e cada afirmação a sua negação. O mundo não é feito de coisas prontas os seres humanos constrói cotidianamente ou seja no processo dialético. Mas Hegel era um filósofo idealista e foi professor de Marx, mas o discípulo vai virar toda a sua teoria pelo avesso, quando afirmava que não eram as ideias que criavam a realidade, e sim as circunstâncias materiais. Em ouro termo, Marx afirmava o materialismo com base na dialética.
Quando lemos G. Chakhnazárov e Lu.Krássine, afirma que alei filosófica da negação da negação revela o caráter progressivo do desenvolvimento que decorre do ascender do inferior para o superior, do simples para o complexo. E essa é a doutrina do encadeamento universal e do desenvolvimento do mundo, investiga as ligações mais gerais inerentes a toda a realidade, e os traços também mais gerais do desenvolvimento.
A partir do conceito de materialismo dialético. Marx e Engels criaram uma nova teoria da História: o materialismo histórico dialético. Para eles, a História se desenvolve, dialeticamente, a partir das relações de produção existentes em cada momento. As relações de produção seriam a infraestrutura política, jurídica e ideológica.
A superação de um modo de produção por outro se dá a partir das lutas de classe, como se podia observar anteriormente, com derrubada da nobreza pela burguesia, , o que abriu o caminho para a afirmação do modo de produção capitalista. E, da mesma forma, através de uma luta opondo proletários x burguesia, o capitalismo seria derrubado, segundo as ideias contidas no Manifesto Comunista.
A grande crítica que Marx e Engels fazem ao capitalismo dia respeito ao caráter exploratório deste modo de produção sobre os proletários. Nisto Marx retoma os postulados da escola clássica inglesa, especialmente de David Ricardo e a sua teoria do valor-trabalho.
Para Marx, em 4 ou 5 horas de trabalho, os operários produziam todas as mercadorias necessárias para comporem os seus salários. Trabalhavam, pois 9 ou 10 horas era apropriado pelo burguês. É o que Marx vai chamar de mais valia ou sobre -valor e que, segundo ele, demonstra sobejamente a exploração dos operários pelos patrões
Marx vai analisar as crises do capitalismo. E segundo ele essas crises eram naturais, pois pela própria configuração do sistema, que permitia a uma minoria a concentração muito grande de renda, em detrimento da maioria operária. A renda auferida pela burguesia era investida em melhores e maiores recursos tecnológicos, daí advindo uma maior produção. No entanto, como os operários possuíam uma renda ínfima, o consumo não aumentava na mesma proporção da produção. Daí se seguiam as crises de superprodução que de fato, marcaram o sistema capitalista ao longo dos séculos XIX e XX e agora no século XXI.
O pensamento marxista será aprofundado em obras como o capital. O manifesto é apenas um livro em que há o pensamento que vai romper com a lógica da exploração do homem pelo homem, já cristalizada no processo capitalista.
E assim vamos ver o pensamento socialista manifestar não apenas no campo teórico mas também na pratica, como os acontecimentos do I Congresso da Internacional conhecido como a 1a. Internacional, quando os trabalhadores e pensadores do trabalho reuniram -se de 1864 e 1876.
As palavras socialismo e comunismo, que foram usadas como sinônimo durante todo o século XIX, só passaram a ter a sua definição, após a Revolução Russa, no início do Século XX. Na época Vladimir Ilitch o Lênin, entendeu que o termo socialismo já estava muito deturpado. Mas na sua teoria o comunismo só seria atingido depois de uma fase da transição pelo socialismo, aonde haveria uma hierarquia de governo. E as características deste modelo é a abolição da propriedade privada, na orientação na economia, e a forma planejada e por fim a ideia da abolição do próprio Estado, que não será preciso. Pois os homens livres desenvolvidos saberão as necessidades do seu próximo.
O Manifesto é um documento histórico, que assustaram os capitalistas que conseguiram resolver a questão da classe burguesa mas precedeu a classe trabalhadora de uma consistente exploração, em que em nome de uma mentira, pregou a ideia do enriquecimento pelo trabalho. Porém as ideias de Karl Marx possibilitou os burgueses dizerem que um fantasma rondava a Europa. Mas a frase mais importante que há no Manifesto é a frase do próprio Marx que diz "proletários do mundo uni-vos", de uma simbologia que nasce da necessidade de todo o mundo, na construção de um poder popular.
Manoel Messias Pereira
professor de História, cronista, poeta
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