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Crônica - A filosofia das emboscadas - Manoel Messias Pereira

 




A filosofia das emboscadas 


Todos amanhãs vamos exercer o nosso papel social, caminhando até aonde somos torturados para receber um mínimo de valores estruturais, para que possamos ser chamados de pessoas sujeitas ao sistema capitalista. E nossos caminhos são das precariedades da existência, são ruas sem calçamentos, são trânsitos de desrespeitos, em que há ônibus superlotados, há gente cheirando suor, há psicopatas tentando aproveitar do aperto e querer sacanagens em pleno caminhar. Há pregadores desavisados querendo falar de algo que desconhece, há aborrecimentos cristalizados e um barulho dos infernos. E um motorista outro trabalhador com a opressão da casa da família, que é a opressão social, providência do sistema do capital da desagregação.

Quando era muito jovem e acreditava que o mundo seria da idealização das transcendências, e assim ficava ligados a uma série de valores e filosofias seguidas pelos jovens da época, como se fosse uma moda. E lembro que em Bhagavad Gita, muito  posto no cotidiano por Raul Seixas, um grande ser humano, cantor e compositor brasileiro, que encantava a todos com o seu canto e o pensar de uma sociedade alternativa. Que provavelmente leu Bhagavad Gita  em que havia na capa de seu livro "por onde passa o ser humano esse é o meu caminho". Portanto se esse é o caminho, esse  pode ser da redenção. E o ser humano como entendeu Mahatma Gandy, que também bebeu na fonte neste mesma fonte é o significado da grande obra que se transforma no observar da história. E ao examinar a história da linguagem mudaram ao se expandiram e isto sucede Gita.

Como as estrelas do céu as palavras iluminam a vida do pensamento que busca o infinito. E o caminho por onde passamos é traçados de estrutura. Na cultura afro quando iluminamos os caminhos vemos que eles tem dois senhores deuses presente Èsù que vira Exu ou Ògún. E a palavra Èsú que vem do Yorubá significa esfera. Portanto esses caminhos para o trabalho que todos fazem é simplesmente a esfera que alimenta uma máquina que produz riquezas pra uns poucos  e miséria para todos que significa as massas, e nisto estou falando do capitalismo.

E geralmente quando falo do sistema do capital, mas trago também as diferenças que esse sistema promove na vida humana como uma catástrofe em que deixa a classe aristocrática e burguesa cada vez mais rica e a massa da população vivendo o desespero da existência.

Mas na cultura afro, observando a figura de Èsù, que está em todos os lugares, que gosta dos lugares escuros, mas também caminha pelos lugares iluminados, acreditamos que à noite e na madrugada ele faz as emboscadas. e tem o poder de agilizar, fazer todas as coisas para o bem e para o mal da existência, pois ha no ser humano  os pontos negativos e positivos. Todas as tramas no mundo  real humano são exatamente traçado neste riscado.

Quando falamos de pensamento afro no Brasil, não podemos deixar de alicerçar em nossos conhecimentos as ideias e os estudos feitos de maneira contributiva por parte de Roger de Bastide, que escreveu "Usos e sentidos do termo estrutura", e é um livro que ressalto de enorme contribuição para o meu conhecimento, até porque quando era estudante matriculado, pois seremos sempre aprendizes dos mestres e doutores que deixaram muitas obras ao bem da humanidade, vi que ele ilumina-se filosoficamente com a palavra estrutura que vem de (Struktur) e passa pelas ciências sociais com textos dele próprio mas também Wolf, E.Beneveniste, C.Levis Straus, P. Francatel, Weiller, Carbonnier, A. Mathiot, H. Leffebvre entre outros e acaba chegando num texto iluminado como a "Contribuição Crítica da Economia Política" de 1859 de Karl Marx., em que consta "Na produção geral de sua vida , os homens entram em relações determinadas, necessárias, interdependentes de suas vontade, em relações de produção que correspondem a um determinado grau de desenvolvimento de suas forças produtivas materiais. e o conjunto destas relações de produções constitui a estrutura econômica da sociedade ou seja, a base real sobre a qual se eleva uma superestrutura jurídica e política e a qual correspondem formas determinadas da consciência social.

E o próprio Marx, vai dizer que o curso dos estudos não resolvem os problemas e sim apresenta-os. E no capitalismo que o conceito de formação social aparece mais complexo, mais rico que os conceitos  de base e de superestruturas.

Roger Bastide diz que os comentaristas consideram estas superestruturas com efeitos secundários, a florescências de base. Outras vezes insistem na eficácia das superestruturas e na ação do retornos de bases, como o primeiro andar de um edifício ou seu texto em relação ao alicerce ou andar térreo.

Mas as ideias e as ideologias nascem de profundidades da consciência social ligada ao conjunto da pratica social. E é evidente que esses grupos humanos ativos e sobretudo as classes sociais e portanto aos dois graus ou níveis de base que, assim não pode ser superpostos como andares de edifícios. O esquema simplificado deixa de lado a família. Porém a família e parte integrante das relações sociais já que a produção e a reprodução são inseparáveis. a família é uma forma de filiação do indivíduo a uma estrutura determinada.

E nisto cabe sim o que entendo. O trabalho é quase algo imposto a esse ser humano sujeito ater apenas a força de trabalho. E portanto ele não está ligado a sua natureza de transformá-la e também transformar-se. E sim ele esta nesta imposição vendendo a sua força de trabalho, e sendo explorado violentamente com um salário que mal dá pra se manter de pé de tão rasteiro que é. E assim a família do ser humano da elite que faz parte de uma minoria que domina, inclusive o parlamento, as leis, as ordens, que dão as cartas no seu contexto geográfico e histórico, tem a opulência necessária para viver bem, como contos de fadas ou novelas da globo em que só aparece pessoas ricas, bem vestidas e alheias as desgraça social que abate sobre o país. Do outro lado as famílias conflituosas em que o salário mal dá pra comprar o ovo que deva fritar e servir como mistura única e possível numa marmita só de arroz e fatias de cebola. E o próprio Marx vai estabelecer que os estudos apresentam, mostram, e isto requer da massa uma possível resolução e ela só virar, com a ação e a propositura de uma militância orientada, para o possível enfrentamento.

O que há uma superestrutura no capitalismo, que visa um ser humano dotados dos meios de produção de sua inteligência, do apoderamento das ciências, das mão de obras das massa, e isto tudo por si só controladas a partir do seu viés de lucro. A ideia é a substituição deste modelo infernal, passa por uma outra superestrutura em que os valores não serão de lucros e juros mas sim de entendimento ao respeito coletivos em que não devas mas ter caminhos tortuosos, mas apenas construídos numa outra leitura, em que não haja explorador e nem explorado. E sim numa sociedade sem classe, em que todos os homens são comuns e iguais retomando talvez o sonho de Graco Babeuf, revisitado por Karl Marx na elaboração do seu socialismo científico.

Enquanto isto vivemos o capitalismo, temos que em toda ás manhãs exercer o nosso papel social de dominados, caminhando até sermos torturados com um trabalho imposto e que não nos satisfaz, temos um salário irrisório que mal dá pra comer, e aguentar de pé, pra poder continuar trabalhando e enriquecendo aquele que segue mantendo o poder político, econômico, e social desta tal sociedade co capital. Só que temos que ser o Èsù da cultura afro temos que ter o controle das ruas, das saídas e armar as emboscadas, e aí Mojubá, ou seja viver a noite e armar emboscada que pode ser um dia o processo revolucionário, para o bem de toda a coletividade que trabalha e que garante a riqueza e o respeito social para todos. E por fim lembrando Bhagvad Gita, por onde passa o ser humano esse é o meu caminho, porém há seres humanos na elite e há seres humanos no trabalho, o caminho tem de ser a de uma sociedade sem classe a sociedade comunista e nisto completamos a esfera como olo (dono) ònà (caminho). E assim  entendemos que as ideias e as ideologias nascem da profundidade das consciências está a ligadas ao conjunto das praticas sociais. Na filosofia das emboscadas.  E vamos nelas para o bem da coletividade.



Manoel Messias Pereira


cronista

Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB

Membro do Coletivo Negro Minervino de Oliveira

São José do Rio Preto- SP. Brasil





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