Semana de Arte moderna de 1922
A semana de arte Moderna que aconteceu a exatamente 88 (oitenta e oito) anos, nos dias 13, 14 e 15 de fevereiro de 1922, merece por parte de todo o brasileiro uma reflexão.
Naquele momento da história significou um romper com os laços europeus, por outro lado é como abraçar uma mulher linda e cheirosa não adianta separar o perfume inebriante fica no ar, e nós homens embriagamos pelo sexo oposto. Mas há quem discorda e devemos compreender.
A Semana de Arte de 1922, constituiu o grande divisor de águas conforme diz um dia um poeta lá de Uberaba, que chamava-se Guido Bilharinho.
E embora antes desta semana na literatura já tínhamos uma prosa, escrita como "Memória de Um Sargento de Milícias" editado em 1852 e 1853 escrito por Manuel António de Almeida, o Ateneu em 1888 de Raul Pompéia, O Cortiço em 1890 de Aluísio de Azevedo, e mesmo alguns contos de Machado de Assis que já ouvi falar porém ainda desconheço ou melhor não li. Mas essas obras já traz sinais de uma mudança, num novo tratamento estético da palavra.
Em 1922, a apresentação de novas obras, e novos autores que rompe com chamado parnasianismo europeu e abre as possibilidade de um novo experimentalismo em termos de estética. E isto vai ser demonstrado principalmente em termos de artes plásticas. Inclusive alguns pintores vão usar, imagens como do negro trabalhando, do ser mestiço, de uma estilização bem acentuada e assim segue, até mesmo no padrão da escrita.

Artistas da Semana de arte de 1922
O Modernismo no Brasil - Inicia-se portanto com um Movimento evidenciado principalmente pela:
-Oposição ao parnasianismo e ao simbolismo
-rejeição do retórico, do eloquente e do convencional
-abolição da métrica, da rima e de toda e qualquer norma ou estereotipo
-experimentalismo, invenção e pesquisa permanentes
-poesia do cotidiano destituída de rebuscamento
-linguagem popular e brasileira
-contraposição da linguagem vinda dos europeus eruditas e classicizante
-poema - piada e poema fragrante
E alguns autores como Mario de Andrade, que usa os princípios do, Direito permanente à pesquisa, atualização da inteligência artística brasileira
e a estabilização de uma inteligência criadora nacional.
Oswald de Andrade (1890-1954) foi o principal agitador cultural e teórico da primeira fase do Modernismo brasileiro. Ele defendia uma arte nacionalista crítica, baseada no primitivismo, na antropofagia (deglutir a cultura estrangeira para criar algo novo e original) e na ruptura com o academicismo parnasiano.
Aqui estão os pontos principais do pensamento de Oswald sobre o Modernismo:
Antropofagia (Manifesto Antropófago, 1928): Para Oswald, o Brasil não deveria rejeitar a cultura estrangeira, mas sim "comê-la", assimilá-la e transformá-la para criar uma identidade própria, "degutindo" o colonizador. Ele queria "acertar os ponteiros da literatura brasileira com o relógio da literatura universal".
Poesia Pau-Brasil (Manifesto Pau-Brasil, 1924): Defendia uma poesia "exportável", que fosse autenticamente brasileira, valorizando o folclore, a linguagem coloquial (popular) e a realidade do país, afastando-se da cópia dos modelos europeus.
Crítica ao Passadismo: Oswald era um crítico feroz da literatura acadêmica e parnasiana, buscando a liberdade formal, o uso de versos livres, a ironia e a síntese na prosa e na poesia.
A "Culpa" de Tudo: Mário de Andrade o considerava o mais curioso dos modernistas, o homem de ação que acreditava piamente que a arte brasileira precisava se remodelar. Ele foi visto como o "culpado" pela revolução estética de 1922.
Primitivismo Moderno: Acreditava em um nacionalismo que não era tradicional ou saudosista, mas sim crítico, incorporando o primitivismo como forma de vanguarda.
Em resumo, Oswald via o Modernismo não apenas como uma renovação artística, mas como um projeto de afirmação cultural brasileira por meio da devoração crítica de influências externas.
E estes autores vão influenciar o ostros que viram ao longo de toda a história do Brasil.

Aqui temos uma reedição de uma Semana de Arte que não foi a de 1922, mas em 2007, portanto a Grande pauliceia desvairada continua eternamente por todo São Paulo e influenciando todo o Brasil.
Se queres saber se houve mudanças de vida política e situacional do brasileiro com o fim da monarquia e o princípio da República é evidente que não. E há quem defende em tese, que o que ocorreu foi uma art-nouveau típico da Belle Epoque europeia, pois o parnasianismo, o simbolismo o realismo, todos chegaram ao Brasil com certo atraso e em circunstância diferenciada daquelas que, na Europa se originou.
Por isto temos sim que crer nesta autentica reviravolta que aconteceram nas artes e nas letras em 1922, pelo revigoramento das raízes, da nacionalidade. Ou seja 1922 precisava promover uma nova realidade cultural, e com isto chocou os acadêmicos da época e abriu caminhos novos no processo artístico.
Este era um movimento que realçou as transformações sócio-econômicas pelas quais o país passava, revelando, ainda, uma virada na consciência nacional ao romper com os modelos acadêmicos e importados, valorizando ao extremo nossa realidade e nossa potencialidades.
É bom as pessoas que fazer a análise pra reflexão entende, que isto não é olhar com os olhos de hoje, mas as condições histórica de 1922 e os valores daquela época, evidente.
Manoel Messias Pereira
professor de História

Comentários
Postar um comentário