artigo - O camarada Julius Kambarage Nyerere, e o "Ujamaa Essayon Socialism" - Manoel Messias Pereira
O camarada Julius Kambarage Nyerere, e o "Ujamaa Essayon Socialism"
Em 5 de fevereiro, num encontro de marxistas em Arasha, o camarada e professor Julius Nyerere anunciou o seu "Ujamaa Essayon Socialism", que definia as conclusões marxistas leninistas, tentando formatar um material acessível de forma de explicitar para os líderes e educadores para uma nova Tanzania.
Hoje lembramos esse fato Julius Nyerere, recordo que esse grande marxista, premio Lênin da Paz de 1985/1986, nascido em Butiama em 13 de abril de 1922 e falecido em Londres em 14 de outubro de 1999, Teceu uma crítica aos organismos multilaterais de crédito e reivindicou liberdade para que os países do hemisfério Sul pudesse escolher seu próprio caminho. E foi esse motivo que passei a admirá-lo embora apenas pela leituras de seus textos.
Ele disse que o Programa de ajuda para a África, devido as condições que impõem, não cumprem o objetivo de aliviar a pobreza nos países deste continente . Falando em África. E afirma muito pelo contrário, sua aplicação pode resultar na deterioração do nível de vida da população, principalmente das crianças.
Os países africanos não são apenas subdesenvolvidos mais também pobres. A tarefa de seus governantes consiste em distribuir a pobreza de maneira mais justa possível e ao mesmo tempo investir todo o possível na criação de uma futura riqueza . São dilemas árduos de resolver.
Esse período de fome epidêmica, sobre que bases deveriam ser distribuídos os alimentos disponíveis? E em tais circunstâncias, seria lógico empregar os recursos de um país em gastos com defesas, com a manutenção da ordem interna, na organização das eleições ou em qualquer outro esforço que não seja produzir mais alimentos? E se assim fosse que proporção?
Os escassos recursos à disposição dos serviços de saúde pública devem ser utilizados, por exemplo, para aquisição de insulina, sem a qual alguns pacientes morreriam, ou para comprar remédio para malária, que mata ainda mais pessoas?
Devem-se empregar o dinheiro e a mão de obra qualificada para satisfazer o consumo ou investimento de capital para melhorar o bem estar futuro da população.
Em um país pobre tais perguntas são colocadas diariamente ao governo. Na África, ao escolher-se as soluções a serem adotadas, frequentemente estão em conflitos os mais elementares direitos humanos, pois os bens e os recursos humanos existem são insuficientes para atender as todas as necessidades básicas da população. Para estabelecer seus programas de desenvolvimento nossos países não tem outra alternativa a não ser utilizar seus poucos meios e organizar-se por si próprios, passo a passo.
O único caminho - Lamentavelmente está se tornando cada vez mais difícil devido as políticas de liberalização. Os bens produzidos na lavoura de um pequeno terreno com um arado ou mediante a um trabalho artesanal em que pequenas fábricas não podem competir no mercado mundial com os produtos obtidos com a tecnologia moderna.
Um planejamento que tende à autosatisfação das necessidades da população com os próprios recursos disponíveis e, na minha opinião, o único caminho para o progresso.
Não perceber a necessidade de encarar o desenvolvimento de um modo progressivo - e, na medida do possível, autônomo - contribuiu para o atual problema do endividamento externo, não apenas na África mas em todo chamado hemisfério Sul do planeta. Na nossa pressa fizemos muitos empréstimos, estimulados por banqueiros solícitos, que depois aumentaram unilateralmente as taxas de juros.
Todos os Estados soberanos da África tem teoricamente o direito de organizar sua economia da maneira que achar melhor, mas nesta era de tecnologia não é possível ficar isolado do resto do mundo.
Em particular são os pobres que não pode isolar-se das nações ricas, desenvolvidas e militarmente poderosas ou das empresas transnacionais controladas por esses países. Nas cidades africanas os pobres podem, muitas vezes evitar comprar nos mercados dominados pela parte da população comparativamente rica, onde os preços são mais altos. Mas algo semelhante não é possível a nível internacional, pois há um só mercado mundial.
Outro ponto é que se exporta-se mais e ganha-se menos, por isso não é surpreendente que o intercâmbio comercial seja cada vez mais desfavorável para os menos desenvolvidos, aproximadamente entre 1980 a 1990 segundo o Banco Africano de desenvolvimento. A África exportou os maiores volumes de matérias primas e obteve menos dinheiro para pagar as manufaturas cada vez mais cara do Hemisfério norte. Sem contar com as barreiras alfandegárias impostas pelos países ricos para impedir o acesso ao mercado com a imposição de cotas limitadoras ou foram obrigados aos acordos voluntários.
Não acredito que tal condicionamento de ajuda seja ético. O povo de cada nação soberana tem o direito de organizar-se. entretanto na prática para um países em desenvolvimento organizar seus próprios assuntos precisa obter aprovação do Fundo Monetário Internacional FMI e é necessário sempre aceitar determinadas condições. e estas consiste em desvalorização da moeda, eliminação dos controle dos preços e dos subsídios na liberação das importações e nos cortes dos gastos públicos, tudo isto além de dar prioridade ao pagamento da dívida externa.
A situação é insustentável. É fácil criticar os governos africanos, e não ignoro todos os seus erros e nem a frequente corrupção que neles existem. mas essas culpa não faz mais do que piorar a situação que já era insustentável.
Nenhum governo, seja revolucionário, pode evitar que se deteriore a vida da população quando caem os preços das exportações de seu país.
Enfim essas são palavras de Julius Nyerere quatro anos antes dele falecer. Aqui no Brasil vi esse texto por duas vezes sendo publicado na Revista Caderno do Terceiro Mundo. Ou seja publicado em 1994 e depois na sua morte republicado.
Com a morte de Julius Nyerere , os jornalistas Neiva Moreira e Beatriz Bissio, escreveram uma matéria que dizia "Silencia a voz de um libertador". Morreu m Londres um dos maiores estadistas deste século, idealizador das comunidades camponesas organizadas com critérios socialistas. E comentava que o programa de Nyerere priorizava três princípios: unidade africana, não alinhamento e apoio aos movimentos de libertação da África sobretudo a Frente de Libertação de Moçambique a Frelimo. Tenho a plena consciência que suas observações enquanto estadista, enquanto marxista, enquanto ser humano pensante portanto ser filosófico, possam e devam ser estudados com mais afincos no Brasil em todos os níveis atendendo aos anseios estabelecidos pela Lei 10693/03, para que se conte um pouco da história, do pensar africano.
Manoel Messias Pereira
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