Crônica - Isis Dias de Oliveira camarada revolucionária na história do Brasil - Manoel Messias Pereira
Isis Dias de Oliveira camarada revolucionária na história do Brasil
Hoje retirei pela manhã os documentos da Edição Maria da Fonte, que estava no meu armário, livro que trata da repressão fascista no Brasil, sobre os presos políticos. E entre eles localizei a citação da estudante da Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de São Paulo - USP, Isis Dias de Oliveira militante da Ação Libertadora Nacional - ALN, que fora presa pelo CODI/RIO em 31de janeiro de 1972 E assassinada no mesmo dia.
Esse é um assunto que requer de cada um de nós um especial carinho, por uma pessoa desaparecida, por ter lutado contra o processo ditatorial, chamado anos de chumbo que instalou-se no Brasil entre 1964 e durou 21 anos. Que trouxe as famílias brasileiras muita apreensão. E lágrimas de saudade.
Isis Dias de Oliveira nasceu em São Paulo no dia 20 de agosto de 1941 era ilha do senhor Edmundo Dias de Oliveira e Felícia Mardini de Oliveira. Ela fez o curso primário no Grupo Estadual Pereira Barretos, período em que sonhava com as personagens de criança, e brincava de cabra cega, mana mula, e talvez rico -trico. Depois foi para o ginásio, hoje a escola primário e o ginásio chamamos de Ensino Fundamental sendo o ginásio o Ensino fundamental2. E neste contexto ela estudou na Escola Estadual Presidente Roosevelt.
E ansiosamente foi para o colegial que por um tempo chamou Segundo grua hoje as escolas chamam de Ensino Médio, onde Isis fez o clássico no Colégio Santa Marcelina. Vale lembrar que o ensino médioda época era dividido em Ensino clássico, científico e o normal. E havia aquele que faziam também o curso técnico da época.
Isis era uma grota aplicada e sempre estudiosa, além da educação aprimorada, também estudava piano e fazia aulas de pintura na Fundação Álvaro Penteado. Aprendeu com facilidade a falar bem o inglês, o espanhol e o francês. O que possibilitou ela ter sido secretária bilinguê da empresa Swift.
Entrou no curso universitário em 1965 para cursar o Ciências Políticas na USP e passou a morar no conjunto residencial da USP (Crusp). E ali permaneceu até ao 3. ano do curso. Vale informar que participou no cursinho do Grêmio da Faculdade de Filosofia em 1967.
Jose Luis del Roio e Isis Dias de Oliveira
E casou com o amigo e camarada José Luís Del Roio, na época o secretário politico do Partido Comunista Brasileiro- PCB na célula da USP e militante da ALN. Eles se conheceram na faculdade se encantaram se apaixonaram e casaram. Um casamento que ficaram juntos por dois anos, e o último contato que tiveram.
Em 1968 Isis foi para Cuba, onde fez com certeza um curso de guerrilha. E voltou um ano depois. Mudou-se para o Rio de Janeiro no meio do ano de 1970.
Pelo que consta pelo Exercito brasileiro ela teve seis processo correndo e foi julgada a revelia.
Em 31 de janeiro de 1972, acabou sendo presa no Rio de Janeiro juntamente com outro camarada chamado Paulo Cesar Botelho Massa. E ambos foram assassinados pela repressão ditatorial onde foram torturados numa chamada Cassa de Torturas, chamada a Casa da Morte de Petropoles, que era um centro ilegal utilizados pela ditadura.
Professor José Luis del Roio
Hoje professor José Luís Del Roio nunca esqueceu Isis, e sempre coloca flores no monumento a Isis. E pelo que consta quando a Comissão da Verdade em 2014 sei que ele pediu a Comissão da Verdade que solicitasse ao Arquivo Nacional uma cópia da Informação 4057 de 11 de setembro de 1975 do Serviço Nacional de Informações - SNI esse que era um documento interno e que consta que Isis fora presa e morta no mesmo dia.
O caso jurídico que envolveu o seu desaparecimento foi objeto do documento dos Advogados contra a Ditadura, e que mostra que o Estado ditatorial por meio de seus agentes de segurança enganou o tempo todo a família. Sua mãe ficou sabendo da prisão por um telefonema da revolucionária Aurora Maria do Nascimento Furtado. A família começa a procurar por noticiais e tiveram informaões erradas de que a militante havia sido transferida para Ilhadas Flores, local em que ela, a mãe esteve mas não conseguia entrar. Dona Felicia enviou vária cartas as autoridades brasileiras e nunca teve resposta de nenhuma. Até que em 28 de janeiro de 1974 a sua morte é confirmada pelo responsável e chefia de Operações do Exército Adyr Fiúsa de Castro.
Ela foi uma desaparecida política que o Centro Universitário de Pesquisa e Estudos Sociais (CeUPES) da USP homenageou com o seu como Centro Universitário de Pesquisa e Estudos Sociais "Isis Dias de Oliveira". E vale lembrar que a USP prestou uma homenagem aos seus alunos torturados presos e mortosos por essa maldita ditadura através do Projeto Diplomação da Resistencia e entre eles consta sim o nome de Isis Dias de Oliveira.
Também a praça donde ela morou com o camarada e companheiro José Luís Del Roio temos seu nome. Ela ainda foi homenageada no Rio de Janeiro e em Recife. E foi listada como uma das mulheres esquecida da Ditadura, cujo a memória sem visibilidade pelo Estado ditatorial daqueles anos de chumbo.
Recordo que no dia 31 de janeiro de 2017 aconteceu a Corrida por Isis uma maratona para relembrar os 45anos de seu desparecimento. Um ato politico e esportivo feito por Rodolfo Lucena que criou essa corrida que sai do antigo prédio da USP pela Rua Maria Antónia e segue até a Rua das Palmeiras no bairro Santa Cecília onde morou a camarada. E esse é o ponto de chegada.
Dia 1 de fevereiro é um dia de lembranças, de saudade e talvez de lágrimas pois o dia 31 de janeiro de 1972, ela presa, torturada e morta pela Ditadura Civil, empresarial e Militar brasileira, quando o Brasil ficou de joelho para aniquilar o seu povo, matar seus filhos atendendo os anseios de Washington, com as Operações Brother Sam , Condor e Bandeirantes. Cabe hoje lembrá-la e crer que ela eterniza como heroína de uma época. E assim saudamos "Camarada Isis Dias de Oliveira, presente ,presente, presente agora e sempre.
Recentemente com o filme dirigido por Walter Salles "Ainda estou aqui", protagonizado por Fernanda Torres e Fernanda Motenegro que interpretam Eunice Facciola Paiva e esposa do deputado Rubens Paiva, que fora assassinado pela Ditadura civil, se fez presente, e isto foi bem mostrado no livro de Marcelo Rubens Paiva, que narra o drama familiar vivido no chamado "Anos de Chumbo" em que a tortura e a crueldade que matou o deputado também matou muitos outros militante como Isis Dias de Oliveira. O filme é uma obra de arte importante pois há uma geração de brasileiro, que tens poucos elementos históricos para a compreensão da realidade e outros que deseja apagar a memória da monstruosidade que foram alguns governantes daquele período ou de gurpos de canalhas que ainda tentar dar um golpe no país como essa extrema direita que tramaram a tentativa de golpe e o terror em Brasilia no dia 8 de janeiro de 2023.
Essa é uma parte de nossa história em essa é uma lembrança de duma revolucionária como Isis Dias de Oliveira da Ação Libertadora Nacional, que tinha como norte o socialismo e o materialismo histórico dialético, mas que teve de enfrentar uma ditadura fascista, violenta, torturadora e lhe roubou o direito de pensar, de viver e de sonhar, com o Brasil, fraterno, solidário internacionalista e socialista. Infelizmente.
Manoel Messias Pereira


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