Hoje lembramos do camarada Candido Torquato Portinari
Era o dia 29 de dezembro de 1903, que nasceu em Brodoswski-SP, na Fazenda de Café Santa Rosa, Candido Torquato Portinari, foi poeta, foi artista plástico, militante comunista, membro do Partido Comunista Brasileiro -PCB, e faleceu aos 59 anos de idade
Portinari é descendente de italiano, seu pai Sr. Giovan Batista Portinari e sua mãe dona Domênica Torquato que se casaram em 1901 e juntos o casal teve 12 filhos.
Portinari na família era chamado de Candinho, e cresceu entre os trabalhadores dos campos de sua cidade natal. O que muito bem ele retratou em sua obra a Fazenda e o pequeno povoado e as recordações destes ambientes.
Portinari, foi um desenhista, pintor, restaurador, poeta, e comunista chegando a ser eleito senador pelo Partido Comunista Brasileiro - PCB. E em dezembro de 1982, quando os arquivos do Departamento de Ordem Política e Social do Estado de São Paulo passaram para a Polícia Federal, foi encontrado a ficha detalhada de Portinari, constando suas atividades políticas. E devido ser ele um comunista ele não pode sair do Brasil e não compareceu na solenidade de inauguração dos painéis feito e exposto na Organização das Nações Unidas, obra essa que retratou a fidelidade justa, patriótica, que expressou seus ideais, numa personalidade inconfundível de um homem como o artista de "Guerra e Paz"
Na sua biografia sabemos que Candinho começou a desenhar em 1909 e que o seu primeiro desenho foi o retrato do músico Carlos Gomes. Em 1912 a família de Portinari muda-se da fazenda para a cidade de Brodowski onde o artista participa por vários meses da restauração da Igreja, ajudando os pintores italianos a "dispingire la stelle" E mais tarde auxilia um escultor.
Em Brodowiski frequentou a escola primária, única instrução regular que recebeu. Tomou algumas aulas com o pintor José Murari que fazia pinturas em casa da cidade. E que ainda existem algumas destas em Brodóswski.
Foi para o Rio de Janeiro para estudar mais as dificuldades da família fazem o retornar e empregar-se numa ferraria, e pintou carroças.
Em 1916 ele teve ajuda de seu irmão Luiz, que era chamado carinhosamente de Loi e com quem Portinari teve maiores relações de natureza artística e que auxiliou-o na execuções de murais, para O MEC, pra o Congresso de Washington e outros. Candinho dedicou-se á pintura, e a escultura, e tendo um período numa Escola de Artes na capital paulista depois foi morar na Ilhabela, no litoral norte de São Paulo, onde faz incursões na arte que tornou celebre o seu irmão.
Portinari participou da Semana de Artes de 1922, quando expos pela primeira vez no Salão Nacional de Belas Artes. em São Paulo. E ganhou a medalha de bronze com o retrato do escultor Paulo Mazuchelli"
Em1925 mandou dois pequenos trabalho no salão de arte nacional e ganhou a medalha de Prata. E em 1928 retratou o poeta Olegário Mariano e ganho sua sua primeira viagem ao exterior, na qual pode ir a Itália, Inglaterra, Espanha e fixou-se em Paris, ano em que também conheceu a uruguaia Maria Martineli, por quem encanta-se namora e casa, sente saudade do Brasil e volta a terra natal.
Em 1926 escreveu seu primeiro artigo na imprensa no jornal "O Paiz com o título "O estado atual da arte brasileira. Em1964 escreveu poemas uma obra que divide em quatro partes, que são "O menino e o povoado", Aparições, A revolta e Uma prece. Além de inspirar outros escritores como Mario Rodrigues que publicou pelo Bloch Editores, o livro "A infância de Portinari".
Portinari também inspirou o samba enredo de Ailton Furtado e Mario pereira e que foi apresentado pela Escola de Samba Império da Tijuca, em 1968 versos que diziam "Na tela e gigantescos murais/Foi o primeiro a colorir/Nossos problemas sociais.
Portanto tudo ocorreu depois de sua morte, tivemos a grande galeria Portinari no Peru, os críticos de artes passaram a chamar Portinari de o Michelangelo brasileiro em 1972 o Museu Nacional realizou uma mostra comemorativa em 1972 O escritor Flavio de Aquino escreve o livro o Ateu que acreditava em Cristo, falando de Portinari. A Fundação Portinari catalogou 3200 das 5000 obras de Portinari. Há documentos com depoimentos de todos os amigos camaradas como Luís Carlos Prestes, Oscar Niemeyer, Jorge Amado, António Calado, Carlos Drummond de Andrade, e Lucio Costa. Em 1982 tivemos a Semana Portinari. e entre os conferencistas o camarada Mário Shemberg, António Calado e a professora Annateresa Fabris.
A obra de Portinari é rica em prolongamento humano O que Jean Cassou o primeiro diretor de Museu de Paris diz" representa o gênio humano, à realidade do país".
Quanto a sua morte, constam no livro de João Batista Berardo, que escreveu o livro "O Político Candido Portinari" editado pela Editora Gráfica Nagy Ltda, em Edições Populares que teve como editor senhor. Analdino Rodrigues Paulino e é uma obra que se encontra no Museu "Casa de Portinari" em Brodowski-SP.
No dia de sua morte geralmente falamos de sua vida, e ressalto um poema escrito em Buenos Aires no jornal Correio da Manhã, o que mostra que ele muito além de brasileiro foi um gênio respeitado e admirado pela América Latina.
"Un Son para Portinari
Para Candido Portinari
la miel y el ron
y una guitarra de azúcar
y una canción
y un corazón
Para Cândido Portinari
Buenos Aires y un bandoneón.
Ay esta noche se puede,
se puede
Ay, esta noche se puede,
se puede,
11?06/1953
Todos esses escritos foram fragmentos da obra "O Político Cândido Torquato Portinari" de João Batista Berardo. Edições Populares.
Manoel Messias Pereira
professor de História , jornalista, ensaísta e poeta
Membro do Coletivo negro Minervino de Oliveira
São José do Rio Preto -São Paulo - Brasil

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