Os 133 anos de nascimento do camarada Graciliano Ramos
Em 27 de outubro de 1892, nascia numa família de dezesseis irmãos de classe média em Quebrangulo, Graciliano Ramos de Oliveira, jornalista, romancista, cronista, contista e memorialista brasileiro, que foi também prefeito de Palmeiras dos Índios. E veio a falecer em 20 de março de 1963.
A sua obra hoje é reconhecidíssima pela Academia literária, tendo sido inúmeras vêzes, objeto de estudos, como podemos perceber, nos vários títulos de mestres e doutores pelas livrarias, como "Literatura em campo Minado" em que o professor Marcelo Magalhães Bulhões, utiliza a metalinguagem de Graciliano e a tradição literária brasileira, ou no título "Memória do Cárceres literatura e testemunhos" escrito por Hemenegildo Bastos, ou "Porão do Manaus " de João Luiz Latefá, em que ele faz um cruzamento entre o histórico e o literário, ou "Trabalho da escrita" de Zenir Campos Reis, editados em revista de Estudos Avançados da USP; ou "Escrita dos Testemunho em Memória do Cárceres" de Afredo Buosi; ou "Duas vezes Diferente em Memória do Cárceres" escrito por Boris Schnaiderman nos Estudos Avançados n.23 da USP; "O Velho Graça " de Denis de Morais; "Ficção e Confissão" de António Cândido; "Corpos escritos" de Wander Melo Miranda; "Sob o Signo do Silêncio" de Lourival Holanda; "Graciliano "Retrato fragmentado de Ricardo Ramos; "Em liberdade" de Silvano Santiago. E há ainda outros títulos que não tive acesso, e há muitos trabalhos no campo literário e no campo da sociologia buscando respostas nos escritos de Graciliano, portanto é um autor de importância vital para a atualidade brasileira.
"De modo geral, a obra de Graciliano promove meta-linguisticamente um combate das formas estereotipadas do discurso, as quais, expostas dialeticamente, estão identificadas com uma realidade que se propõe inalterável. O escritor está pronto, portanto, desmascarando uma linguagem estática, modelada pela prática ideológica. Por outro lado a reflexão que se estabelece a respeito da linguagem promove a ostensiva incursão no contexto cultural do país quer numa perspectiva diacrônica, quer na verificação da produção literária contemporânea ao escritor".(Revista Cult 42).
Em 1930 Graciliano Ramos era o prefeito de Palmeira dos Índios, na época ele soltou os presos para construir estradas, acabou sendo presos. Em 1936 enquanto escrevia um novo livro depois de São Bernardo acabou sendo preso acusado de ter participado na ANL Aliança Nacional Libertadora em 1935. e na prisão escreveu Memórias do Cárceres. Em 1945 Graciliano ingressa no partido Comunista Brasileiro sob o comando de Luís Carlos Prestes.
O velho escritor que aparentemente estava ultrapassado para as novas gerações, hoje é uma luz de algumas teorias mais recentes sob o rótulo de pós colonialismo ou estudos subalternos, e questão da literatura brasileira ainda esta atravancada na linha traçada pelo velho mestre. Enquanto os avanços políticos vão por caminhos errôneos, há latifúndios, as pessoas pensam menos que os cães, e este é um país de cabisbaixos, e os coronéis neoliberais dão as cartas, a mando de algum imperialista, a globalização só é exploração em massa da população em geral. Provavelmente na porta de um pet-shop, há baleias charpês, Tchau-tchaus, pensando nos produtos industrializados pra cães, como pensava a baleia, nos retirantes calados de Vidas Secas.
Manoel Messias Pereira
Professor de História.
membro do Coletivo Negro Minervino de Oliveira -São José do Rio Preto -SP. Brasil
São José do Rio Preto -SP. Brasil

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