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Crônica - Leonel Brizola e um jeito de pensar a educação - Manoel Messias Pereira

 



Leonel Brizola e um jeito de pensar a educação


Há 30 anos atrás eu li uma reportagem que na época foi assinada pelo jornalista Walmyr Peixoto, na revista Caderno do Terceiro Mundo (extinta) e o tema da reportagem era o "alicerce da democracia" e nisto havia uma introdução em que ele afirmava que a formação de cidadãos para agir num mundo onde sejam exaltadas a paz, a justiça social e igualdade entre as nações é a meta dos educadores socialistas, que se reuniram pela primeira vez no Brasil.

Esta era de fato a filosofia da União Internacional dos Professores Socialistas (Uips), uma entidade fundada em 1951, e essa filiada a Internacional Socialista e a proposta era que o ensino pudesse promover justiça social, respeito aos direitos humanos.

Essa entidade realizou a sua primeira conferência em Versalhes, sobre o tema "Educação e Treino paraa Paz" acontecimento ocorrido no período posterior à Segunda Guerra Mundial. No Brasil. Nesta época tínhamos o Sr. Leonel Brizola que era membro da executiva  da Internacional Socialista e que havia fundado no Brasil o Partido Democrático Trabalhista, que tinha a senhora professora Lia Faria que era presidente da Fundação Pública Municipal e também membro do Conselho Estadual de Educação, e resolveram sediar o 40.Congresso da entidade no dia 28 de julho de 1994 e que prosseguiu o evento até o dia 4 de agosto, no Rio de Janeiro.

O tema deste Congresso educacional foi "A Escola, Comunidade: a Luta contra a Exclusão". E as propostas apresentadas naquela oportunidades eram :

a) Horário Integral - Os Cieps solucionavam o problema da educação. Recordo que Brizola criou essas escolas que o aluno permanecia todo o tempo com espaços, para as aulas, estudos e lazer, com refeições. Com um acompanhamento e todo o corpo de educadores que iam desde o cozinheiro, a pessoa responsável pela limpeza , os professores, o assistente social, o psicólogo. Teria assim a família amparada pelo Estado.
b)Valorização do professor - Os investimentos incluíam necessariamente o professor. Os planos de carreiras deviam incentivar o professor a estudar e atualizar-se. Mas o fundamental era a remuneração salarial justa.
c)Descentralização - As descentralização da educação devia ser parte de uma reforma do Estado e das políticas sociais. Ao governo da União cabia estabelecer as diretrizes gerais, incentivando a inovação e corrigindo distorções regionais.
d)Universalidade - O ensino superior deveria apoiar os esforços para melhorar a qualidade do ensino público no âmbito do Ensino básico, hoje falamos em fundamental e Médio mas na época chamavam de Primeiro e Segundo grau. Com mudanças e na formação dos professores além de produção e difusão do conhecimento científico. A Uniersidade devia trabalhar na pesquisa e tecnologia e se integrar a outras instituições.

E a ideia conforme afirmava Lia Faria era um sistema educacional brasileiro. E devia passar a imagem mágica de alegria, reconhecimento de fazer educação, através de propostas inovadora. 

Com essas informação eu creio que haveria a liberdade pedagógica, do ensinar e aprender. Porém isto partia de um estudo da Uips, mas o que pudemos ver é que isto estava mesmo apenas com Leonel Brizola. Um ideal socialista que se perde num país de um capitalismo selvagem. Em que a escola se transforma apenas num grande depósito de gentes, entre crianças, famílias e problemas gerados e advindos deste sistema do capital. Em que a merenda é desviada ou não tem, em que a segurança que o direito constitucional do brasileiro nunca existiu e crianças já foram mortas dentro de escolas. Que a formação intelectual é de pleno transtorno entre todos o Estado, profissionais educadores, e por consequência os próprios pais.E hoje temos uma formula e mudança  provinda dos Estados Unidos, como se fosse um bolo pronto, que tens um numero grande de parceiros, que vão utilizar a escola pública apenas e tão somente para gerar a mão de obra barata, criando uma reserva de seres para a serem explorados e prontos pra ser substituídos, tudo mesmo pela mercantilização do ser humano e depois excluída descartada. E a explicação disto é que somos um país em que está aplicada o neoliberalismo e que o Banco Mundial dá as cartas, e que o laboratório provem da Universidade San diego da Califórnia.

E quanto a isto já notamos o que fizeram uma reforma trabalhista, reforma previdenciária que precariza a vida e o seguro social dos trabalhadores. E muitos membros do próprio partido de Brizola votaram a favor dos golpistas outros ficaram como merda na água de esgoto, bolhando e fedendo. Pense nisto em imagens. Pra uma boa compreensão.

 Já o pensamento de Leonel Brizola era ter a escola  como um centro de difusão do saber acumulado, das ciências tecnologia, do ensinar e aprender com o intuito de emancipar o ser humano, na sua condição social, cultural, educacional intelectual ou seja fazendo uma melhora do tecido humano que compõe o Brasil. Inclusive uma frase dele bastante conhecida  é a seguinte "Devemos investir na criança para que as novas gerações tenham sobretudo a coragem de fazer  aquilo que não fizemos.

 No entanto o que percebemos que o partido PDT, que poderia avançar com a ideia original, parece que se perdeu no sistema do capital.  Esse partido ficou muito parecido com os demais. Nunca vi falarem em tese socialista  e defender com verdades, as ideias províndas de Marx, Engels, Luckaks, Gramsci, ou seja nunca vi uma citação neste sentido em nenhum discurso deles. Ou seja um socialismo sem linha definida ou seja é uma mentira. E portanto o alicerce da democracia, como antes defendiam aqueles educadores de cunnho socialista se perderam, criaram-se fendas, propuseram uma rupturas nas teorias. E com isto apenas ficou a ideia e a memória do engenheiro Leonel Brizola, falecido em 2004,  que parece bem esquecida pelo partido  que ele próprio criou.


Manoel Messias Pereira

cronista, professor de História
Membro da Academia de Letras do Brasil -ALB
São José do Rio Preto-SP.Brasil










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