Crônica - Minhas ra´zes ancestrais - Manoel Messias Pereira

 




















Minhas raízes ancestrais

  • Sempre penso na minha família, na ancestralidade, no contexto do respeito aos mais velhos, as pessoas que foram as raízes profundas da organização de meu lar. Sempre lembro das raízes de meu povo, como meus avós e meus bisavós e sempre guardei atitudes, mensagens e gestos deixados por eles.
  • Entre os mais idosos, não de meu lar, mas da raíz de minha origem tenho hoje a minha tia-avó e tia-prima Olímpia de Souza. Que estive com ela mais ou menos uns dois anos. E foi quando passei lá num dia em que ela e a família estava organizando uma festa e um terço junino. Minha tia estava numa cadeira de roda, meu tio com mal de Alzheimer, a minha prima segunda com a preparação da oração do terço. Outros membros da família organizando as bandeirinhas da festa.
  • O que sei é que a minha tia-avó e tia-prima é irmã de minha avó Maria Orozima de Souza (falecida) era a mãe de meu pai, casada com o meu avô, João Pereira dos Anjo, que um dia saiu para comprar um cigarro talvez um pouco aborrecido e nunca mais voltou, e mesmo colocando no rádio, no jornal, nunca mais encontramos. E talvez até ele tenha perdido o rumo de casa, da vida, e exalou-se no mundo. E acabou como um  desaparecido ou morto.
  • Meu avô era irmão da minha avó Anna Pereira dos Anjos, embora registrada com dois "nn" no nome uava o nome Ana com um n só. E ela era irmã de minha mãe a dona Florência Pereira dos Anjos, que ficou conhecida como mãe de santos ou yalorixá "Minadã" ou dona Florencia. Cujo o pai era o Sr. José António de Souza, o tio direto da minha avó dona Maria de Souza.
  • O casamento de Ana foi feito na cidade de Cajobi-SP, e eu estive na igreja de onde minha avó dona Ana com quinze anos casou-se com meu avô com quase quarenta e cinco anos uma vez que o meu avô já era viúvo. Um casamento em que minha mãe nasceu. E por outro lado dona Maria  teve o filho Messias Pereira dos Anjos, que teve como apelido em São José do Rio Preto de "Sacy".
  • E da união de dona Florência e Sr. Messias eu nasci e juntamente mais tarde outros filhos deste dois personagens surgiram na família e fora dela. Pois o amor nunca representa a força de uma convenção social. Existe a separação de casais de corpos fora disto existe a hipocrisia social de atores e autores que desejam uma outra história que foge do ritual maniqueísta da sociedade contemporânea.
  • Dos irmão de minha avó materna todos pelo visto já faleceram outros desapareceram viraram sucos no Estado de São Paulo, e talvez no Rio de Janeiro. Os que ficaram na Bahia provavelmente também já faleceram e não tenho quaisquer contatos com esses parentes. Mas deixa para lá como  dizem um velho ditado. Os parentes são os dentes e que de vez em quando mordem os lábios e a língua.
  • Da minha avó paterna recordo que somente a tia-avó Olímpia permanece viva, com o seu olhar complacente, com a ternura de ser a mais velha. E de dar o exemplo de fazer as festas religiosas, acreditar num Deus, numa justa posição a fé católica afrodescendente, numa fervorosa busca e, na espera de um milagre que possa refletir como exemplo para todos nós seus descendentes. É ela que organiza a festa junina, que reúne um parte da família, é ela que faz a festa de reis, e de todos os santos. E é ela que traz bons exemplos e boas novas, E um otimismo sem par.
  • Que bom que tenho essas raízes, que nunca sai do lar, da família. E sempre me traz muitas alegrias. A tia Olímpia é filha da minha avó ou bisavó Gertrudes, quando ela morreu tinha apenas 12 anos, não esqueci dela com aquele cabelo comprido pequenina. Cheia de fazer festas no fim do ano e encher a casa de pessoas numa roda tocando instrumentos.
  • Acho que somos frutos de uma existência humana, que respeita a liberdade, a paz, e procura corrigir-se dentro das possibilidades de não ultrajar os limites vida e da sociabilidade  em família. Obrigado a todas as antigas raízes familiares que sigo na antropologia brasileiras em que atuam os afros descendentes. Abraços

  • Manoel Messias Pereira

Professor história, cronista e poeta

São José do Rio Preto- SP. Brasil



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